IML confirma: Fernando Carli Filho estava alcoolizado
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segunda-feira, 18 de maio de 2009
Rosiane Correia de Freitas<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O deputado estadual Fernando Ribas Carli Filho (PSB) estava alcoolizado no momento em que se envolveu num acidente que causou a morte de dois jovens no último dia 7. O exame de dosagem alcoólica feito pelo Instituto Médico Legal (IML) realizado em uma amostra de sangue do parlamentar colhida no dia do acidente apontou 7,8 decigramas de álcool por litro de sangue.
Hoje é possível afirmar com 100% de certeza que o deputado estava sob a influência alcoólica no momento da colisão, disse o delegado Armando Braga, da Delegacia de Delitos de Trânsito (Dedetran). A embriaguez do parlamentar já havia sido confirmada por testemunhas que prestaram depoimento à polícia, entre elas garçons que atenderam Carli Filho no restaurante em que ele jantou pouco antes do acidente. Os bombeiros que participaram do atendimento do deputado após a colisão também registraram no relatório do caso que o paciente apresentava hálito etílico.
O teor de álcool - 7,8 decigramas por litro - encontrado no sangue do deputado é superior ao limite estabelecido pelo Código de Trânsito Brasileiro até 2008, que era de 6 decigramas por litro. A partir do ano passado a lei passou a considerar passível de penalidades qualquer concentração de álcool por litro de sangue.
Um índice desse já caracteriza uma embriaguez, explica o médico psiquiatra Luiz Renato Carazai. Segundo ele, a ingestão de álcool prejudica a visão, a audição e os reflexos da pessoa. Há uma redução também da auto-crítica e da consciência dos atos, diz.
Para o psiquiatra Luiz Antônio Marques de Mendonça, do Hospital Nossa Senhora da Luz, mesmo em quem é acostumado a beber, os efeitos da bebida afetam a capacidade da pessoa reagir em situações que exigem reflexo e raciocínio rápido. A pessoa acha que está bem, mas a capacidade de julgamento dela está prejudicada. É por isso que é proibido dirigir depois de beber, aponta.
O sangue do deputado também está sendo submetido a um exame toxicológico cujo resultado deverá sair nas próximas semanas. O exame de dosagem alcoólica foi realizado depois que o promotor responsável pelo caso, Rodrigo Regneir Chemim Guimarães, solicitou ao Hospital Evangélico a amostra colhida de Carli Filho no momento em que ele deu entrada no Pronto Socorro da instituição. Segundo informações do hospital, o material foi coletado às 2h15 da madrugada do dia do acidente.
Por ser deputado, Carli Filho tem direito a foro privilegiado. Por conta disso a investigação do caso está sendo presidida por um desembargador do Tribunal de Justiça do Paraná e acompanhada pelo Ministério Público do Paraná. A conclusão do inquérito depende agora dos resultados de outros laudos periciais de levantamento do local da morte de Gilmar Rafael Yared e Carlos Murilo de Almeida e de necropsia das vítimas.


