Curitiba - Uma das principais apostas do PT para estas eleições, a ex-ministra Gleisi Hoffmann não conseguiu reunir capital político para fazer frente aos adversários o tucano Beto Richa, reeleito no primeiro turno, e o peemedebista Roberto Requião, ex-governador por três mandatos, nem neutralizar a "campanha de desconstrução" do partido, como afirmaram aliados. O resultado dela - amargou um terceiro lugar na disputa ao governo do Paraná com apenas 880 mil votos, ou 14% do total - e do PT, que encolheu suas bancadas no Paraná, foi considerado "muito ruim", "preocupante" e "delicado".
Petistas ouvidos pela reportagem se queixaram de que Gleisi deveria ter visitado mais o Estado, mas ficou muito focada em Brasília, onde comandou a Casa Civil por quase três anos. O fato de representar "a cara do governo federal" no Paraná, dizem aliados, acabou pesando mais contra ela do que a seu favor. "Ela se dedicou muito à Casa Civil e deixou de fazer política no Estado", analisa um deles.
A falta de articulação política também prejudicou a candidatura: Gleisi saiu com uma coligação de cinco partidos, contra 17 do atual governador, reeleito. Richa tinha o apoio da maioria dos prefeitos do Paraná, inclusive de petistas. "O PT do Paraná precisa se repensar. Essas pessoas (que apoiaram Richa) não deveriam estar no PT", diz o deputado estadual Tadeu Veneri, líder da oposição na Assembleia. Para ele, o partido "afrouxou" as filiações.
A resistência do eleitor paranaense ao PT também pesou. "Uma parcela expressiva do eleitorado rejeita o PT", diz o prefeito de Curitiba, o ex-tucano Gustavo Fruet (PDT), que fez campanha ao lado da senadora. "É um ciclo, uma soma de fatos que vão se acumulando. E a Gleisi paga esta conta, de alguma maneira."
Para o deputado federal Dr. Rosinha (PT-PR), houve uma "onda de exposição negativa" da senadora e do partido ainda antes da campanha.
Apesar do investimento financeiro da direção nacional e da boa estrutura de campanha, Gleisi não conseguiu alavancar sua candidatura durante toda a eleição. Nas pesquisas, sempre apareceu na casa dos 10%. O fato de dividir os eleitores de oposição a Richa com o candidato Roberto Requião também a fez perder votos, na opinião de aliados. Agora, o PT pretende se "reorganizar" e se fortalecer como oposição ao governo reeleito de Richa. Quanto à próxima disputa ao governo do Paraná, ainda é consenso que o nome de Gleisi é "o melhor quadro" do partido para isso ao menos por enquanto.

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