Imagem de Dirceu como estrategista é mito, diz Tarso
PUBLICAÇÃO
domingo, 11 de dezembro de 2005
Vera Rosa<br> Agência Estado 
Brasília - Em artigo enviado para o site do PT, o ex-presidente do partido Tarso Genro fez duras críticas ao ex-ministro e deputado cassado José Dirceu. Para Tarso, que desistiu de disputar a eleição interna ao comando petista porque Dirceu se recusou a sair da chapa, a imagem de que o ex-colega de governo foi um grande estrategista político não passa de ''um mito''.
Mais: ele escreveu que Dirceu geriu as políticas de governo na Casa Civil e coordenou as ações no PT de forma ''isolada'', ''centralizada'' e com ''baixa capacidade de escuta''.
''(...) Sinceramente, livrai-nos, Senhor, de um 'grande estrategista' que tem a coragem de ainda dizer - depois de tudo isso - frases como as seguintes: 'Querem me tirar da chapa, querem me tirar da fotografia, querem me tirar da história. Depois sou eu que sou stalinista...''', anotou Tarso, reproduzindo declarações feitas por Dirceu em entrevista. O artigo ainda não foi divulgado no site.
Atingido pelo ex-chefe da Casa Civil, Tarso partiu para o contra-ataque. Disse que o ex-deputado usa, sim, argumento stalinista. ''Quem tinha por hábito inventar conspirações para preparar movimentos ofensivos era o velho e conhecido georgiano'', reagiu, numa referência a Joseph Stalin (1879-1953), ditador russo que eliminou todos os seus adversários dentro do Partido Comunista.
Para o ex-presidente do PT, que foi ministro da Educação, Dirceu lançou-se num jogo de ''soma zero''. ''Ao invés de reforçar direções coletivas, faz da luta interna o território da afirmação grupista'', criticou.
A polêmica envolvendo os dois ex-ministros do PT começou em julho, quando Tarso assumiu a presidência do partido no lugar de José Genoino, derrubado pelo turbilhão da crise. Logo que foi marcada a eleição para renovação da cúpula petista, Tarso exigiu que Dirceu deixasse a chapa do Campo Majoritário, grupo que reúne as alas moderadas do PT. Alegou que, por ser o alvo das denúncias do mensalão, o ex-chefe da Casa Civil deveria ficar de fora. Dirceu protestou: disse que a atitude era uma ''vilania'' e bateu o pé. Tarso, que ocupava a presidência do PT interinamente, renunciou à candidatura no fim de agosto.
Depois da cassação de Dirceu, o clima de guerra fria entre os dois continuou. O ex-deputado afirmou em entrevista Que o momento ''mais duro'' da crise foi quando Tarso pediu a sua saída da chapa. O ex-presidente do PT insistiu que Dirceu defendia alterações na linha econômica do governo diante de Lula, mas no partido orientava a maioria para ''blindar'' a política capitaneada pelo ministro da Fazenda, Antonio Palocci.
''Não acho correto que se 'aproveite' a cassação do ex-ministro José Dirceu para ressaltar as virtudes revolucionárias (próprias ou não) de pessoas ou de tendências'', observou Tarso no artigo. ''José Dirceu deve responder, como qualquer um de nós (se tivermos posições de relevância e cometermos impropriedades) dentro e fora do partido. Se cometeu violações legais ou estatutárias, tudo deve ser apurado (...)''.


