O presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Ilmar Galvão, defendeu ontem que a Justiça Eleitoral tenha maior controle sobre as pesquisas de intenção de votos, fazendo inclusive checagem das respostas dadas pelos entrevistados. ‘‘Vejam a celeuma que (a pesquisa) causa. Ontem não foi um dia feliz para os institutos de pesquisa’’, afirmou o presidente do TSE.
Segundo ele, a pesquisa de boca-de-urna se enganou ‘‘redondamente em vários locais’’. ‘‘Isso não é muito bom, mas não vou dar minha opinião. Acho que o Congresso (na reforma política) deve examinar também o problema da pesquisa, assim como discutir o voto obrigatório, a filiação partidária, número e partidos, tudo pode ser objeto de exame no Congresso’’, afirmou.
Para Galvão, a reforma política será a ocasião de examinar se a pesquisa deve passar por uma tutela maior da Justiça Eleitoral. ‘‘Já disse antes, quem sabe se a pesquisa não somente devesse ser registrada quanto ao método, quanto a quem pagou, mas também quanto ao material colhido’’, afirmou o presidente do TSE. ‘‘Quem sabe o material poderia ser entregue, no futuro, não agora, mas com uma lei nova, porque quem dispõe sobre isso é o Congresso, eu imagino se esse material poderia ser entregue à Justiça Eleitoral para que ela, dispondo de uma comissão, pudesse verificar a autenticidade dos dados colhidos, por amostragem’’, disse.
O presidente do TSE disse que não pretende fazer nada a respeito das pesquisas para o segundo turno das eleições. ‘‘Se há problemas, é preciso que eles cheguem ao tribunal. O que chega ao tribunal tem decisão. Se o problema não é trazido, não há como nos manifestarmos.’’ Galvão afirmou que também não foi oficialmente informado sobre divulgação de resultados de boca-de-urna por emissoras de TV antes do fechamento de todas as seções eleitorais.
FalhasA apuração das urnas contraria prognósticos feitos pelos institutos de pesquisa brasileiros. Nem mesmo as pesquisas de boca-de-urna, geralmente mais aproximadas da realidade, conseguiram detectar com precisão a preferência do eleitorado.
Em Brasília, por exemplo, a pequisa Vox Populi divulgada no dia da eleição, indicava que o ex-governador do Distrito Federal Joaquim Roriz (PMDB) seria o primeiro colocado, com 42% dos votos. O atual governador do Distrito Federal, Cristóvam Buarque (PT), ficaria com 35%. O Ibope dava 43% para Roriz e 39% para o petista. Concluída a apuração pela Justiça Eleitoral, Buarque superou Roriz em 3,44% dos votos válidos, arrematando 42,67% da preferência do eleitorado, contra 39,23% do peemedebista. Durante a campanha eleitoral, nenhum instituto conseguiu prever a vantagem de Buarque sobre Roriz.
Em Goiás, o candidato tucano ao governo, Marconi Perillo, surpreendeu ao superar o candidato Íris Rezende (PMDB). Pela pesquisa estimulada do Ibope realizada entre os dias 18 e 22, Rezende ficaria em primeiro lugar, com 53% dos votos. Perillo aparecia em segundo, com 27% das intenções. Na pesquisa estimulada do Vox Populi feita no dia 30, Rezende tinha 53% das intenções de voto e Perillo, 33%. Dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), às 17 horas, com 43,79% dos votos apurados, indicavam que o tucano tinha 50,23% dos votos válidos, enquanto Rezende acumulava 44,86%.
Os resultados parciais da eleição no Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul também destoavam das previsões das pesquisas .

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