Iguaçu não tem plano contra grampo
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sábado, 28 de abril de 2001
Maria Duarte De Curitiba 
O secretário de Governo do Paraná, José Cid Campêlo Filho, disse ontem que o governo não tem uma estratégia definida para abortar as investigações da CPI da Telefonia em relação aos grampos, apesar do desgaste político que as denúncias envolvendo o Palácio Iguaçu pode representar. Campêlo espera que os integrantes da CPI voltem à rota original das apurações (denúncias de irregularidades praticadas por operadoras). O pedido de criação dessa CPI aconteceu em dezembro do ano passado, e essas denúncias de grampos apareceram há quinze dias.
O secretário defende que o objeto das investigações não pode ser mudado. Ele tomou como base o artigo 62 da Constituição Estadual, que prevê que a CPI tem que investigar um fato determinado. Mas nos bastidores corre a versão de que o Iguaçu estuda uma ofensiva para estancar as investigações sobre escutas clandestinas versão não confirmada oficialmente. O governo já emitiu nota oficial informando que não há possibilidade de existirem grampos nas linhas que atendem ao Palácio. O líder do governo, Durval Amaral (PFL) sustenta a tese de que o caso deve ser apurado na esfera policial e que os depoentes que se sentirem prejudicados podem pedir a nulidade da CPI na Justiça.
No depoimento prestado anteontem à CPI da Telefonia da Assembléia, o cabo PM Luiz Antônio Jordão (acusado de envolvimento no esquema de escutas telefônicas clandestinas que haveria no Palácio Iguaçu), confirmou declarações de seu advogado Peter Amaro de Sousa de que a campanha do ex-prefeito cassado de Londrina Antonio Belinati (sem partido) teria sido alvo de escutas telefônicas, em 1996. Jordão, que foi afastado da Casa Militar, disse que o pessoal da política daqui foi apoiar o Belinati e ele (Gilberto Maria Gonçalves) foi para lá. Na época, Belinati era o candidato do governo. Gonçalves, ex-funcionário do governo, era subordinado ao secretário-chefe de gabinete, Gerson Guelmann. Jordão afirmou que uma equipe teria sido deslocada até Londrina.
Segundo o relato de Jordão, Gonçalves seria responsável pelo esquema de grampos no Palácio Iguaçu, e agia em obediência a Guelmann. O secretário nega envolvimento do governo com o caso. O cabo também negou que tenha qualquer envolvimento com grampos. Disse que se limitava a fazer serviços de contra-espionagem, acompanhando varreduras.


