O secretário de Governo do Paraná, José Cid Campêlo Filho, disse ontem que o governo não tem uma estratégia definida para abortar as investigações da CPI da Telefonia em relação aos grampos, apesar do desgaste político que as denúncias envolvendo o Palácio Iguaçu pode representar. Campêlo espera que os integrantes da CPI voltem à rota original das apurações (denúncias de irregularidades praticadas por operadoras). ‘‘O pedido de criação dessa CPI aconteceu em dezembro do ano passado, e essas denúncias de grampos apareceram há quinze dias.’’
O secretário defende que o objeto das investigações não pode ser mudado. Ele tomou como base o artigo 62 da Constituição Estadual, que prevê que a CPI tem que investigar um fato determinado. Mas nos bastidores corre a versão de que o Iguaçu estuda uma ofensiva para estancar as investigações sobre escutas clandestinas – versão não confirmada oficialmente. O governo já emitiu nota oficial informando que não há possibilidade de existirem grampos nas linhas que atendem ao Palácio. O líder do governo, Durval Amaral (PFL) sustenta a tese de que o caso deve ser apurado na esfera policial e que os depoentes que se sentirem prejudicados podem pedir a nulidade da CPI na Justiça.
No depoimento prestado anteontem à CPI da Telefonia da Assembléia, o cabo PM Luiz Antônio Jordão (acusado de envolvimento no esquema de escutas telefônicas clandestinas que haveria no Palácio Iguaçu), confirmou declarações de seu advogado Peter Amaro de Sousa de que a campanha do ex-prefeito cassado de Londrina Antonio Belinati (sem partido) teria sido alvo de escutas telefônicas, em 1996. Jordão, que foi afastado da Casa Militar, disse que ‘‘o pessoal da política daqui foi apoiar o Belinati e ele (Gilberto Maria Gonçalves) foi para lᒒ. Na época, Belinati era o candidato do governo. Gonçalves, ex-funcionário do governo, era subordinado ao secretário-chefe de gabinete, Gerson Guelmann. Jordão afirmou que uma ‘‘equipe’’ teria sido deslocada até Londrina.
Segundo o relato de Jordão, Gonçalves seria responsável pelo esquema de grampos no Palácio Iguaçu, e agia em obediência a Guelmann. O secretário nega envolvimento do governo com o caso. O cabo também negou que tenha qualquer envolvimento com grampos. Disse que se limitava a fazer serviços de contra-espionagem, acompanhando varreduras.

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