Iguaçu não precisa pedir ordem no caso da cerca
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sexta-feira, 31 de janeiro de 2003
Maria Duarte<br>Equipe da Folha 
Curitiba O governo do Paraná informou ontem, através da Comunicação Social, que o governador Roberto Requião (PMDB) não precisa pedir autorização formal ao prefeito Cassio Taniguchi (PFL), que é seu adversário político, para retirar as grades quem cercam o Palácio Iguaçu. Anteontem, a Comunicação da prefeitura havia dito à Folha que Requião precisaria de uma solicitação antes de iniciar as obras, porque a colocação das grades foi feita pelo município, responsável pela manutenção da praça.
Conforme a assessoria de Requião, o terreno da Praça Nossa Senhora de Salete, onde está a sede do Poder Executivo, pertence ao governo do Estado. Portanto, dizem os assessores do governador, as grades serão retiradas sem a interferência do poder público municipal. Cassio disse à Folha que o terreno é mesmo do Estado, e não do município, como foi dito anteontem por fonte ligada à prefeitura. O prefeito, porém, não abre mão da posse das grades, até porque o material deve ser reaproveitado em algum outro espaço público.
''As cercas foram fabricadas e colocadas pela prefeitura, são patrimônio do município. Se o governador quiser, nós mandamos tirar. Não precisa nem fazer licitação'', avisou Cassio. A prefeitura não divulgou o valor gasto na instalação das grades, em 1999, a pedido do ex-governador Jaime Lerner (PFL), padrinho político de Cassio.
As cercas, de 2,2 metros de altura, foram instaladas depois que o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) acampou por seis meses no local. Eles pediam agilidade do governo Lerner no processo de assentamentos.
O processo de licitação deve ser aberto por Requião na semana que vem. A previsão é que em um mês as grades não façam mais parte da praça. Serão retiradas, pelo menos em um primeiro momento, apenas os cerca de 410 metros em volta do Palácio. Requião tem dito que a praça é um espaço público que não pode ser fechado como se fosse um jardim particular.
Enquanto a discussão em torno das grades avança, os partidos aliados a Requião já se preparam para participar do ato público de derrubada. A direção estadual do PCdoB começou a convocar militantes do partido para participarem. De acordo com Milton Alves, presidente do PCdoB, a retirada das grades ''é um gesto importante de aproximação do Poder Público com os movimentos populares''. ''É o fim de um divórcio de oito anos'', comentou Alves.
As grades em volta do Tribunal de Justiça (TJ) e da Assembléia Legislativa, instalados na mesma praça, continuam em pé até segunda ordem. Os assessores de Requião argumentam que ele não pode interferir nos outros poderes.


