Iguaçu mina caso das jaquetas
Iguaçu mina caso das jaquetas
A CPI articulada pelo deputado Ricardo Chab (PTB) para investigar a compra sem licitação de jaquetas coreanas pelo ex-comandante geral da Polícia Militar do Paraná, Luiz Fernando de Lara, e outras suspeitas de irregularidades na corporação, está na iminência de naufragar. O Palácio Iguaçu entrou em cena e desde ontem pressiona os deputados governistas que assinaram o pedido de CPI para que revejam posição até a próxima terça-feira, data programada para a instalação da comissão pela Assembléia Legislativa.
Essa não é a primeira vez que o governo interfere nos assuntos da Assembléia. Em maio, implodiu uma CPI recém-criada para apurar operação financeira envolvendo a Prefeitura de Curitiba, a Sercomtel, a Copel e o Banco FonteCindan, investigado na época pela CPI dos Bancos, no Senado. Na ocasião, 23 deputados aderiram à proposta, número abaixo dos 28 que já formalizaram apoio à CPI das Jaquetas.
Dessa vez, o argumento utilizado pelo chefe da Casa Civil, Pretextato Taborda Ribas, escalado pelo governador Jaime Lerner (PFL) para abortar a CPI, é de que houve um cochilo dos governistas e que os deputados assinaram pedido muito genérico. Muitos assinaram sem saber o conteúdo da CPI, observou Tato Taborda ontem. A declaração causou mal-estar junto ao líder do governo, Valdir Rossoni (PTB), que, anteontem, incentivou adesão à proposta.
Para tentar desfazer o mal-estar, o líder do governo dispara telefonemas, até o final do feriado, para convencer os governistas a recuarem. Se o chefe não quer, não vai ter. Manda quem pode e obedece quem precisa, disse Rossoni, numa referência à pressão de Lerner. O objetivo de uma CPI tem de ser específico, argumentou. Rossoni não confirma, mas Lerner teria ficado furioso com o cochilo dos aliados.
A fúria do governador aconteceu principalmente porque a oposição aproveitou o apoio governista para revelar sua intenção de investigar na CPI outras. denúncias. Entre elas, o alegado superfaturamento na reforma de um gabinete do comando da PM, que teria custado R$ 800 mil, uma doação de R$ 160 mil da Renault à PM, e a locação de veículos pela Segurança. Chab, o autor do pedido, disse ontem que não recua. Ele conversou com Tato Taborda no Palácio. Uma fonte ligada ao deputado garante que Chab se recusou a retirar o pedido de CPI ou promover qualquer alteração de texto.(L.D.)





