Igrejas fazem cartilha para orientar voto
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sábado, 13 de maio de 2000
Patrícia Zanin De Londrina 
Assustadas com a disseminação da corrupção e com as denúncias de escândalos em várias esferas do poder, as igrejas católica e evangélica estão preparando cartilhas para ajudar o eleitor a se orientar na hora do voto. O objetivo, segundo padres e pastores, é dar subsídios aos fiéis para que eles possam fazer escolhas mais acertadas, elegendo políticos comprometidos com a ética, a seriedade e o compromisso social.
A cinco meses do pleito, o trabalho das igrejas não se limitará à distribuição das cartilhas. Inclui também encontros e debates com as comunidades. No final deste mês, os católicos vão promover uma assembléia do Conselho Estadual de Leigos, em Francisco Beltrão, no Sudoeste do Paraná, para definir orientações gerais na busca pela cidadania e no combate à corrupção eleitoral.
Mas o trabalho de politização também já vem sendo feito, principalmente por meio das lideranças leigas. Nossa orientação é que o padre não se envolva diretamente com política para não dividir as comunidades. O objetivo é formar lideranças para assumir a política e não ser político, explica o secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) no Paraná, padre Carlos Alberto Chiquim.
Ele não tem um levantamento do número de padres que vai se candidatar nas eleições de outubro, mas diz que a CNBB não recomenda. A orientação é que se alguém decidir ser candidato deve se afastar do exercício do ministério presbiteral.
Segundo Chiquim, a cartilha elaborada pela CNBB e pelo Conselho de Leigos para os fiéis está pronta. A idéia, segundo ele, é fazer a distribuição para as 800 paróquias do Estado. De acordo com o secretário-geral da CNBB, as principais orientações aos fiéis são para que o eleitor vote em candidatos Comprometidos com as comunidades. Também para que o eleitor não se deixe levar pela aparência, pela propaganda e desconfie de quem aparece apenas nas eleições, recomenda.
Em Londrina, o Conselho de Pastores Evangélicos também pretende debater o assunto, principalmente em seu comitê de política e cidadania, mas o presidente do conselho, Cloves José de Pinho, diz que o trabalho de conscientização já começou. Os pastores se doam no dia-a-dia para as ovelhas, orientam, discutem, fazem esse debate sobre política sem precisar usar o púlpito.
Ele disse que as denúncias de corrupção em Londrina e em todo o País podem motivar uma mudança de comportamento do eleitor. Hoje a maioria da população ou vota por interesse ou para ficar livre de responsabilidade legal, já que o voto no Brasil é obrigatório, explicou. O presidente do Conselho de Pastores aposta, porém, numa mudança de mentalidade.
Pinho cita o fato de os jovens entre 16 e 18 anos, cujo voto não é obrigatório, estarem se interessando em participar do processo político. Até crianças comentando matérias de rádio e TV sobre a corrupção a gente ouve. Meu filho de dez anos é um exemplo, explicou.


