Prestes a entrar na terceira semana, a greve no funcionalismo público de Londrina deve ter em breve uma posição da Igreja Católica - a qual, por enquanto, está analisando os argumentos da Prefeitura e do sindicato que representa a catergoria, o Sindserv, antes de definir um eventual apoio.
A afirmação foi feita ontem pelo arcebispo da cidade, Dom Orlando Brandes, durante a 21 Romaria da Terra do Paraná, realizada ao longo do dia no município de Tamarana (62 km ao sul de Londrina). O arcebispo já se reuniu nos últimos dias com o presidente do Sindserv, Marcelo Urbaneja, e com o prefeito Nedson Micheleti (PT). Cauteloso, resumiu: vai se informar a fundo do que as partes alegam para a concessão ou não da reposição salarial de 27% - referentes às perdas inflacionárias de cinco anos -, para só então manifestar se a Igreja apóia alguma ala.
''Por enquanto estou só me informando dessas posições. Se o sindicato comprovar, em cima da lei, que os servidores têm direito ao que pedem, o prefeito está errado. Assim, se a greve de fato estiver fundamentada em direitos dos trabalhadores, estarei junto até na própria greve, se for necessário'', declarou o religioso, para contrapor: ''Mas se o prefeito comprovar que não se está cometendo uma injustiça, então a greve tem conotação partidário-política - o que seria uma pena, pois há vários civis que, sem atendimento público, são inocentes''.
Presente à romaria como ''militante do PT e cabo eleitoral do Flávio (Arns, candidato ao Governo do Estado) e da Gleisi (Hoffman, candidata ao Senado)'', Nedson não apresentou alguma novidade que pudesse pôr fim à paralisação nos seviços, especialmente na Saúde. O prefeito voltou a afirmar que descontará os dias parados dos funcionários grevistas, mas minimizou: ''A greve está parcial, afetando apenas parte da Saúde, o que é preocupante - mas Educação e Assistência (Social) estão atendendo normalmente, assim como os serviços administrativos, com, exceção da cobrança da dívida ativa'', comentou.
Semana passada, representantes do Sindserv declararam que o Executivo cita a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) para justificar a impossibilidade de reposição - a LRF determina 54% como teto de gastos com pessoal; a Prefeitura afirma ter ultrapassado os 57%. Por outro lado, a entidade alega que a reposição de perdas salariais, garantida pela Consituição Federal, estaria sendo descumprida pelo prefeito. Nedson rebateu a insinuação.
''A Constituição não nos obriga a conceder reposição, não temos que honrar essa obrigação. Apenas não podemos gastar mais do que arrecadamos - e a Prefeitura paga salários dignos para uma jornada seis horas, nem dá para comparar com o que pagam, por exemplo, a iniciativa privada ou outras Prefeituras'', encerrou.
O próximo ato público da greve dos servidores será uma passeata na próxima quinta-feira de manhã. A manifestação deixa o Calçadão da Avenida Paraná rumo ao prédio da prefeitura, na Zona Sul.

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