A Igreja Católica não participará da campanha eleitoral no 2º turno em Londrina. A definição foi tirada ontem à tarde, durante reunião ordinária entre os padres juntamente com o arcebispo de Londrina, D. Albano Cavallin. O encontro deliberou ainda que, apesar da Igreja estar fora da discussão, os padres poderão declarar-se em favor de um dos dois candidatos. A informação foi confirmada pelo arcebispo depois de um dia de intensos boatos de que a Igreja estaria declarando apoio formal a um dos candidatos.
‘‘Como Igreja não podemos entrar na discussão política, mas o bispo respeita a decisão do padre enquanto cidadão’’. Em Londrina são 110 padres, que de acordo com o arcebispo, têm perfis variados. ‘‘Alguns são mais militantes, mas outros mostram-se mais discretos’’, afirmou D. Albano. Sobre o fato dos padres não poderem manifestar-se durante as missas e atividades oficiais da Igreja, D. Albano explica que é importante manter a neutralidade. Sobre sua posição pessoal, o arcebispo prefere não revelar. ‘‘Nem para minha mãe eu conto’’, brincou.
Questionado sobre as críticas disparadas pelo candidato derrotado no 1º turno, o deputado federal Luiz Carlos Hauly (PSDB), que atribuiu a chegada do petista Nedson Micheletti na reta final ao apoio da Igreja, ele disse que é um mito pensar que a instituição possa influenciar uma eleição. O arcebispo encontrou o deputado anteontem, no aeroporto de Londrina, que lhe disse que precisaria ter uma conversa particular com ele.
Responsável pela Paróquia Imaculada Conceição, padre Manoel Joaquim é filiado ao PPS e está totalmente integrado à campanha de Nedson. Ele já apareceu nos programas eleitorais e acompanha o candidato diariamente. ‘‘O fato de um padre aparecer na propaganda eleitoral provocou reações, mas minha decisão foi respeitada’’, afirmou ele. Curiosamente o deputado Hauly congrega na Igreja comandada por padre Manoel Joaquim.
O candidato a vice na chapa de Barbosa Neto, Assad Jannani (PPB), disse ontem que vários padres de Londrina estão integrados à campanha. Ele preferiu não citar nomes, mas disse que não foi a posição dos religiosos que levaram Nedson ao segundo turno. ‘‘Foi um voto de repúdio aos políticos tradicionais’’.
Assad disse também que não concorda com a manifestação pública de religiosos favoráveis a um candidato. ‘‘Sem dúvida ele é um eleitor, mas, como um juiz, não pode adiantar seu julgamento’’, comparou.

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