Curitiba - Os 40 anos de fundação e implementação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) no Paraná foram comemorados como uma oportunidade para que bispos, padres e representantes da Igreja fizessem uma reflexão sobre o papel da Igreja nesse período da história. ''Há coisas bonitas e outras não tão boas assim'', avalia o bispo auxiliar de Curitiba, dom Ladislau Biernaski.
Entre os acontecimentos ruins, o período da ditadura militar recebeu destaque no documento elaborado no encerramento do Encontro de Bispos do Paraná Regional Sul II, realizado em Curitiba, dias 24 e 25 de setembro, em celebração aos 40 anos da CNBB no Paraná. ''Pedimos humildemente perdão a Deus porque, embora a Igreja tenha sido a voz forte nos tempos difíceis da ditadura, nem sempre respondemos a tais desafios com sabedoria e profetismo'', cita o documento.
Para dom Biernaski, a Igreja foi realmente uma voz forte nos tempos da ditadura, mas teve diferentes momentos diante da situação. No início, chegou a participar ativamente de manifestações, como as marchas da família contra o comunismo. ''Aos poucos, ela percebeu que era um engodo e mudou de posição. Mas não foi uma mudança monolítica, alguns continuaram apoiando a ditadura, e muitos desconheciam os bastidores de maus-tratos e de tortura'', afirma.
Isso, segundo ele, aconteceu em todo País, incluindo o Paraná. ''Eu, pessoalmente, defendi professores, estudantes encarceirados, que me chamaram para intermediar'', diz, lembrando que, em idas ao Departamento de Ordem Política e Social (Dops), ele chegou a constatar o espancamento de presos. O então arcebipso da Cúria Metropolitana, dom Pedro Fedalto, segundo ele, apesar de ter postura mais conservadora, também tomou posição favorável aos presos políticos.
No encontro, os representantes da Igreja respaldaram a decisão nacional da CNBB, que elegeu o ''Resgate à dignidade da política'' como mote a ser difundido entre a população. ''A atual crise levou o povo ao descrédito com a política em contraste com a esperança suscitada nos últimos anos'', avalia. Por isso, a Igreja defende a necessidade não apenas de apuração e punição de casos pontuais, mas também de uma reforma política, que produza obstáculos para a corrupção.

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