A fuga de fiéis da Igreja Católica, apontada há pouco pelos resultados do Censo 2000, vem provocando análises e debates no interior da instituição. Procuram-se explicações para a diminuição do número de católicos, que representavam 83,8% da população em 1991 e hoje somam 73,8% - um declínio de 10 pontos porcentuais. A tendência predominante é atribuir a perda à rápida urbanização do País, que causou mudanças de comportamento na população, com reflexos na área religiosa. Mas há vozes discordantes. Uma delas é a do bispo diocesano de Jundiaí, interior de São Paulo, d. Amaury Castanho. Para ele, uma das principais razões da queda foi a exagerada politização da Igreja no Brasil durante os últimos 30 anos.
Esse foi o período de tempo em que a ala progressista do episcopado determinou os rumos da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Para d. Amaury, também foi o tempo em que predominou a Teologia da Liberação, que confere mais ênfase a questões sociais e políticas do que à evangelização no sentido clássico, definido pelo bispo como ‘‘o anúncio explícito da pessoa de Jesus Cristo e do projeto de salvação’’.
D. Amaury tem dito, em artigos que divulga em sua dioceses e em entrevistas, que embora falassem em ‘‘opção preferencial pelos pobres’’, os teólogos da libertação adotaram uma posição excludente, afastando da Igreja as classes mais abastadas. Curiosamente, segundo observações do bispo, os pobres não entenderam essa opção e acabaram virando as costas para o catolicismo: ‘‘O trabalho da Teologia da Libertação, por meio das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) concentrou-se principalmente nas periferias das cidades, nos bairros mais pobres. Não deixa de ser irônico que a maior perda de fiéis ocorreu nesse meio, entre as classes C e D.’’

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