Igreja quer 600 mil votos em plebiscito
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quarta-feira, 30 de agosto de 2000
Patrícia Zanin De Londrina 
O Paraná quer garantir pelo menos 600 mil votos no Plebiscito da Dívida Externa, que vai ser realizado entre os dias 2 e 7 de setembro, em todo o País. A informação foi obtida ontem pela Folha com uma das coordenadoras estaduais da consulta, Darli Sampaio, de Curitiba. O número equivale a quase 10% dos 6,5 milhões de eleitores do Estado. É um levantamento inicial. Difícil de ser feito porque depende da organização das regiões, mas deve ser em torno de 600 mil eleitores, previu.
A consulta quer saber a opinião da população sobre a continuidade ou não do pagamento das dívidas externa e interna do País. Dados do Banco Central mostram que a dívida externa pulou de US$ 5,3 bilhões de 1970 para US$ 120,9 bilhões em 1990 e US$ 239 bilhões em 1999. O plebiscito é promovido pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Central Única dos Trabalhadores (CUT), Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) e União Nacional dos Estudantes (UNE), entre outras entidades nacionais. Embora as entidades afirmem que não estão pregando o calote, o slogan do plebiscito é sugestivo: A vida acima da dívida.
O debate sobre a consulta popular já está sendo feito em paróquias, sindicatos e universidades de todo o Estado. Nas missas do último final de semana, por exemplo, fiéis receberam um jornal com números sobre a dívida externa para suscitar discussões. Uma delas será realizada hoje, às 19 horas, no anfiteatro do Centro de Estudos Sociais Aplicados (CESA), no campus da Universidade Estadual de Londrina.
Durante o debate, coordenado pelo padre Antonio Garcia Peres, assessor da Pastoral do Migrante de Londrina, será apresentado um vídeo mostrando que a dívida é uma das principais causas do aprofundamento das mazelas sociais. Devemos fazer as seguintes reflexões: o Brasil deve, admite, quer pagar. Mas como? Com o sacrifício do povo, com o desemprego, com a falta de remédio nos postos de saúde, com filas nos hospitais, com a deterioração da educação?, questionou.
Segundo ele, todas as entidades que estão aderindo ao plebiscito estão preocupadas com o futuro do País e querem lutar por uma auditoria pública da dívida, prevista na Constituição de 88. No documento oficial de divulgação do plebiscito, as entidades alegam que a consulta é uma escolha entre a garantia de qualidade de vida do nosso povo e a remessa de recursos aos capitais financeiros especulativos, pagando taxas e juros imorais por uma dívida no mínimo duvidosa. As entidades pretendem garantir 10 milhões de assinaturas favoráveis à auditoria para apresentar ao Congresso um projeto de iniciativa popular.
Para participar do plebiscito as urnas estarão em igrejas, escolas, sindicatos e universidades é necessário apresentar o título de eleitor. Na região de Londrina, a meta é obter 100 mil votos, de acordo com Eduardo Tolomeotti, coordenador do plebiscito em Londrina. Os eleitores vão responder sim ou não às seguintes perguntas: 1) O governo deve manter o atual acordo com o FMI? 2) O Brasil deve continuar pagando a dívida externa sem realizar uma auditoria pública desta dívida, como prevê a Constituição de 88? 3) Os governos federal, estadual e municipal devem continuar usando grande parte do orçamento público para pagar a dívida interna aos especuladores?


