O Paraná quer garantir pelo menos 600 mil votos no Plebiscito da Dívida Externa, que vai ser realizado entre os dias 2 e 7 de setembro, em todo o País. A informação foi obtida ontem pela Folha com uma das coordenadoras estaduais da consulta, Darli Sampaio, de Curitiba. O número equivale a quase 10% dos 6,5 milhões de eleitores do Estado. ‘‘É um levantamento inicial. Difícil de ser feito porque depende da organização das regiões, mas deve ser em torno de 600 mil eleitores’’, previu.
A consulta quer saber a opinião da população sobre a continuidade ou não do pagamento das dívidas externa e interna do País. Dados do Banco Central mostram que a dívida externa pulou de US$ 5,3 bilhões de 1970 para US$ 120,9 bilhões em 1990 e US$ 239 bilhões em 1999. O plebiscito é promovido pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Central Única dos Trabalhadores (CUT), Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) e União Nacional dos Estudantes (UNE), entre outras entidades nacionais. Embora as entidades afirmem que não estão pregando o calote, o slogan do plebiscito é sugestivo: ‘‘A vida acima da dívida’’.
O debate sobre a consulta popular já está sendo feito em paróquias, sindicatos e universidades de todo o Estado. Nas missas do último final de semana, por exemplo, fiéis receberam um jornal com números sobre a dívida externa para suscitar discussões. Uma delas será realizada hoje, às 19 horas, no anfiteatro do Centro de Estudos Sociais Aplicados (CESA), no campus da Universidade Estadual de Londrina.
Durante o debate, coordenado pelo padre Antonio Garcia Peres, assessor da Pastoral do Migrante de Londrina, será apresentado um vídeo mostrando que a dívida é uma das principais causas do aprofundamento das mazelas sociais. ‘‘Devemos fazer as seguintes reflexões: o Brasil deve, admite, quer pagar. Mas como? Com o sacrifício do povo, com o desemprego, com a falta de remédio nos postos de saúde, com filas nos hospitais, com a deterioração da educação?’’, questionou.
Segundo ele, todas as entidades que estão aderindo ao plebiscito estão preocupadas com o futuro do País e querem lutar por uma auditoria pública da dívida, prevista na Constituição de 88. No documento oficial de divulgação do plebiscito, as entidades alegam que a consulta ‘‘é uma escolha entre a garantia de qualidade de vida do nosso povo e a remessa de recursos aos capitais financeiros especulativos, pagando taxas e juros imorais por uma dívida no mínimo duvidosa.’’ As entidades pretendem garantir 10 milhões de assinaturas favoráveis à auditoria para apresentar ao Congresso um projeto de iniciativa popular.
Para participar do plebiscito – as urnas estarão em igrejas, escolas, sindicatos e universidades – é necessário apresentar o título de eleitor. Na região de Londrina, a meta é obter 100 mil votos, de acordo com Eduardo Tolomeotti, coordenador do plebiscito em Londrina. Os eleitores vão responder sim ou não às seguintes perguntas: 1) ‘‘O governo deve manter o atual acordo com o FMI?’’ 2) ‘‘O Brasil deve continuar pagando a dívida externa sem realizar uma auditoria pública desta dívida, como prevê a Constituição de 88?’’ 3) ‘‘Os governos federal, estadual e municipal devem continuar usando grande parte do orçamento público para pagar a dívida interna aos especuladores?’’

mockup