Patrícia Zanin
De Londrina
Um comunicado de uma página que será lido nas missas de hoje nas 37 paróquias de Londrina explica aos católicos os motivos pelos quais a Arquidiocese assinou, com outras 74 entidades, o pedido de instalação da Comissão Processante (CP) na Câmara contra o prefeito Antonio Belinati (PFL). O documento é assinado pelo arcebispo de Londrina, Dom Albano Cavallin, e pelo bispo auxiliar, Dom Vicente Costa. O comunicado, divulgado ontem à imprensa, deve atingir 76 mil fiéis que comparecem às missas aos finais de semana, segundo informou ontem o padre Jorge Pereira de Melo. Ele integra o Conselho de Consultores da Arquidiocese.
Além da determinação de Dom Albano para que o comunicado seja lido nas missas, em algumas paróquias ele também será distribuído. ‘‘...como pastores e cidadãos, era nosso dever também pedir à Câmara que comece um processo de análise que leve às conclusões devidas, seja inocentando, seja condenando os envolvidos’’, diz um trecho do manifesto.
No final do documento, de seis parágrafos, o arcebispo e o bispo pregam que o comunicado deve ser instrumento ‘‘de evangelização política dos cristãos, sempre lembrados de que o espírito que nos anima é o da Palavra de Deus’’. Para padre Jorge, a leitura nas missas manifesta formalmente a postura da Igreja em favor da defesa da ética e na vida pública. ‘‘Se a Igreja não está para denunciar aquilo que é errado e anunciar a verdade, doa a quem doer, não estaria cumprindo sua missão de ser anunciadora do Evangelho de Jesus’’, argumentou.
Além da ação da Igreja, ontem os representantes do Movimento pela Moralidade Pública de Londrina distribuíram no Calçadão 7 mil exemplares de um jornal batizado ‘‘Reajá Londrina’’, que denuncia as irregularidades do escândalo AMA-Comurb e prega a cassação do mandato do prefeito.
Nos próximos dias, o Movimento pretende montar um placar sobre os votos dos vereadores em relação à comissão, que deve ser votada na Câmara na terça-feira. (veja placar abaixo)
Anteontem, o presidente da Casa, Renato Araújo (PPB), disse que a CP teria 14 votos favoráveis na sessão de quinta-feira, que foi suspensa. Ontem, ele não arriscou um placar. Araújo contesto a informação que o aponta como único contrário à abertura da Comissão. Ele considerou que houve uma interpretação equivocada sobre suas declarações, embora tenha dito que a denúncia que pede a abertura da comissão na Câmara não tem ‘‘substância’’ e que não há provas suficientes.
‘‘Mas o comportamento jurídico e a análise que faço sobre o processo não podem ser confundidos com decisão política. Não disse que sou contra’’, garantiu.
Araújo alegou ainda que está impedido de votar porque há entendimento jurídico de que ele é considerado parte interessada – numa eventual cassação do mandato de Belinati, assumiria o presidente da Câmara. Questionado sobre uma possível necessidade de votar em caso de desempate, disse não ter opinião formada. ‘‘Estou lendo o processo com cuidado, consultando os dados para ter consciência do que vou fazer. É preciso agir com a razão.

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