A compra dos carros de R$ 74 mil cada que a Assembléia Legislativa pretende fechar nos próximos dias é considerada ‘‘absurda, chocante e inadequada’’ para lideranças ouvidas pela Folha. O presidente da Federação das Associações Comerciais, Industriais e Agrícolas do Paraná, Ardisson Akel, disse ontem que ‘‘não é hora para grandes despesas’’.
O presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Valter Orsi, disse que ficou chocado com a postura dos deputados. ‘‘Isso demonstra que eles estão vivendo fora do Brasil, sem saber das dificuldades dos empresários, das creches, da saúde. Provam que não estão em sintonia com o povo e não sentem na pele o que nós, brasileiros estamos sentindo’’, criticou.
‘‘É um absurdo o Estado reduzir gastos, não pagar as férias do funcionalismo, paralisar obras, não atender a contento a saúde, a segurança e a Assembléia anunciar essa compra’’, criticou a vice-presidente da Associação das Mulheres Batalhadoras do Jardim Franciscato, zona sul de Londrina, Rosalina Batista.
Para ela, se a compra dos carros será com ‘‘sobra de caixa’’ da Assembléia, o presidente da casa, deputado Aníbal Khury (PFL), deveria ‘‘pôr a mão na consciência e devolver o dinheiro aos cofres públicos para investimentos na área social’’. A líder convidou o deputado para visitar o Hospital da Zona Sul, onde, segundo ela, a porta de uma ambulância precisou ser amarrada com uma corda para não despencar.
O custo de uma ambulância pode variar de R$ 25 mil até R$ 75 mil. Se o dinheiro - R$ 1,6 milhão - que a AL pretende gastar com os veículos importados fosse usado para a compra das ambulâncias mais caras, 21 unidades poderiam ser adquiridas para municípios do Paraná. (P.Z.)

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