IDEC divulga financiamentos a deputados
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quinta-feira, 09 de outubro de 1997
Leandro Donatti Curitiba 
Arquivo FolhaResistênciaRicardo Barros: apesar da pressão, deputado que vai votar de acordo com a sua consciência O IDEC (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) divulgou ontem a lista dos parlamentares eleitos no Paraná que receberam em 94 doações financeiras de empresas que gerenciam planos de saúde no Brasil. A entidade quer acompanhar de perto, na semana que vem em Brasília, a votação do projeto de lei que dita as novas regras para o setor. Seis deputados federais do Paraná - um deles é ministro hoje - e um senador tiveram parte de suas campanhas eleitorais patrocinadas por essas empresas.
O ministro da Previdência, Reinhold Stephanes (PFL), que foi eleito deputado federal em 94, recebeu R$ 33,4 mil nos meses de julho e agosto da Interclinicas Assistência Médica. A Bradesco Seguros, Amil Assistência Médica e a Ecil S/A fizeram doações para a campanha do deputado Basílio Villani (PSDB). O parlamentar recebeu a doação de cerca de R$ 85 mil das empresas de saúde para eleger-se em 94.
A Mercosa Mercantil Corretoras de Seguros doou R$ 79 mil para José Borba (PTB). A Golden Cross Seguros doou outros R$ 20 mil para garantir a reeleição de Werner Wanderer (PPB). Renato Jonhsson (PSDB) recebeu R$ 100 mil da Bradesco Seguros. A empresa também doou R$ 15 mil a Ricardo Barros (PPB). A Sul America Companhia Nacional de Seguros doou a mesma quantia para o comitê de campanha do senador Roberto Requião (PMDB).
O IDEC promete marcação cerrada junto aos parlamentares, para verificar se os mesmos votam no projeto de acordo com suas convicções, com as dos segurados ou dos donos das seguradoras. A relação das doações baseou-se em dados fornecidos pelo DIAP (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar). Com essa lista o eleitor/consumidor poderá acompanhar o voto do seu deputado ou senador para saber se está representando seus interesses, provoca o documento distribuido pelo Instituto.
A Folha ouviu os deputados federais Basílio Villani e Ricardo Barros. Eles garantem que o documento divulgado pelo IDEC não vai intimidá-los na hora da votação. Tenho de conhecer mais o assunto, mas já digo que nada adianta fixarmos um preço por consulta baixo que inviabilize o bom funcionamento do plano. Prefiro que seja cobrado oito ao invés de cinco, mas que o serviço seja fornecido, avalia Villani, que fica bravo com o que ele classifica de utopia no Brasil.
Para ele, é utopia imaginar que um deputado não deve receber doações de campanha. As disputas são sempre muito caras e eu aceito doações das mais variados setores. Para fazer omelete, você precisa quebrar os ovos, compara. O parlamentar diz ainda que nem sabia, por exemplo, que a Bradesco Seguros oferecia seguros de saúde. Não estou sendo pressionado de forma alguma para direcionar o meu voto em plenário, assegura.
O deputado federal Ricardo Barros discorda dos critérios utilizados pelo IDEC para divulgar as doações feitas. O Instituto deveria ter colocado um percentual dando conta do impacto da doação na campanha. Faltou consistência na informação, analisa. O parlamentar afirma que os R$ 15 mil que recebeu da Bradesco Seguros não representa um valor significativo. E que vai votar no projeto de acordo com a sua consciência. São alterações necessárias para se regulamentar o direito de quem é usuário, observa.


