Arquivo FolhaResistênciaRicardo Barros: apesar da pressão, deputado que vai votar de acordo com a sua consciência O IDEC (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) divulgou ontem a lista dos parlamentares eleitos no Paraná que receberam em 94 doações financeiras de empresas que gerenciam planos de saúde no Brasil. A entidade quer acompanhar de perto, na semana que vem em Brasília, a votação do projeto de lei que dita as novas regras para o setor. Seis deputados federais do Paraná - um deles é ministro hoje - e um senador tiveram parte de suas campanhas eleitorais patrocinadas por essas empresas.
O ministro da Previdência, Reinhold Stephanes (PFL), que foi eleito deputado federal em 94, recebeu R$ 33,4 mil nos meses de julho e agosto da Interclinicas Assistência Médica. A Bradesco Seguros, Amil Assistência Médica e a Ecil S/A fizeram doações para a campanha do deputado Basílio Villani (PSDB). O parlamentar recebeu a doação de cerca de R$ 85 mil das empresas de saúde para eleger-se em 94.
A Mercosa Mercantil Corretoras de Seguros doou R$ 79 mil para José Borba (PTB). A Golden Cross Seguros doou outros R$ 20 mil para garantir a reeleição de Werner Wanderer (PPB). Renato Jonhsson (PSDB) recebeu R$ 100 mil da Bradesco Seguros. A empresa também doou R$ 15 mil a Ricardo Barros (PPB). A Sul America Companhia Nacional de Seguros doou a mesma quantia para o comitê de campanha do senador Roberto Requião (PMDB).
O IDEC promete marcação cerrada junto aos parlamentares, para verificar se os mesmos votam no projeto de acordo com suas convicções, com as dos segurados ou dos donos das seguradoras. A relação das doações baseou-se em dados fornecidos pelo DIAP (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar). ‘‘Com essa lista o eleitor/consumidor poderá acompanhar o voto do seu deputado ou senador para saber se está representando seus interesses’’, provoca o documento distribuido pelo Instituto.
A Folha ouviu os deputados federais Basílio Villani e Ricardo Barros. Eles garantem que o documento divulgado pelo IDEC não vai intimidá-los na hora da votação. ‘‘Tenho de conhecer mais o assunto, mas já digo que nada adianta fixarmos um preço por consulta baixo que inviabilize o bom funcionamento do plano. Prefiro que seja cobrado oito ao invés de cinco, mas que o serviço seja fornecido’’, avalia Villani, que fica ‘‘bravo’’ com o que ele classifica de ‘‘utopia no Brasil’’.
Para ele, é ‘‘utopia’’ imaginar que um deputado não deve receber doações de campanha. ‘‘As disputas são sempre muito caras e eu aceito doações das mais variados setores. Para fazer omelete, você precisa quebrar os ovos’’, compara. O parlamentar diz ainda que nem sabia, por exemplo, que a Bradesco Seguros oferecia seguros de saúde. ‘‘Não estou sendo pressionado de forma alguma para direcionar o meu voto em plenário’’, assegura.
O deputado federal Ricardo Barros discorda dos critérios utilizados pelo IDEC para divulgar as doações feitas. ‘‘O Instituto deveria ter colocado um percentual dando conta do impacto da doação na campanha. Faltou consistência na informação’’, analisa. O parlamentar afirma que os R$ 15 mil que recebeu da Bradesco Seguros ‘‘não representa um valor significativo’’. E que vai votar no projeto de acordo com a sua consciência. ‘‘São alterações necessárias para se regulamentar o direito de quem é usuário’’, observa.

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