O prefeito de Londrina, Antonio Belinati (PDT), avaliou ontem como um ‘‘grande equívoco’’ do governador Jaime Lerner (PDT) a tentativa de ingressar no PSDB. ‘‘O governador foi mal assessorado, mal aconselhado. Ele tinha convite para ingressar em outros partidos, mas escolheu justamente o PSDB, onde havia resistência muito forte’’.
Na opinião de Belinati, todo o processo, que culminou com o veto do diretório regional do PSDB à filiação de Lerner, foi um desgaste desnecessário para o governador. ‘‘Ele arrumou problemas de credibilidade, feriu sua própria imagem. O PDT está prestes a votar sua expulsão. Tudo isso é resultado do distanciamento que manteve de seus companheiros’’, disse.
Belinati afirmou que defende a permanência de Lerner no PDT, caso ele queira ficar. Para ele, o governador não tomou nenhuma atitude que ‘‘ferisse’’ o partido. Belinati acredita, também, que não é vantagem para Lerner continuar a busca por outro partido. ‘‘Como observador, acho que Lerner não deve mexer mais nessa pedra, para não haver um segundo erro. Isso o transformaria em uma vítima no campo da política’’, argumentou.
‘‘Passado o impasse sobre a admissão ou não do governador Jaime Lerner (PDT) ao PSDB, resta ao partido reaglutinar as forças e preparar-se para as eleições de 98’’. Essa é a avaliação do deputado federal Luiz Carlos Hauly (PSDB). O ‘‘racha’’ entre os prós e contras nessa votação foi, segundo ele, prejudicial ao partido e é momento de investir na unidade partidária.
Hauly, que era uma das lideranças que estava à frente da oposição ao ingresso de Lerner no PSDB, não poupou críticas ao governador. ‘‘Lerner é um intruso que queria arrombar as portas do PSDB. E estava sendo ajudado por pessoas que têm cargo no governo estadual e pendências junto ao Banestado’’, alfinetou.
O deputado acredita que o resultado tem efeitos positivos inclusive para o Estado. ‘‘Se Lerner tivesse entrado para o PSDB, o Paraná correria o risco de uma candidatura única. Agora teremos mais de um candidato; além de Lerner, pode ser o Álvaro ou o Osmar Dias’’, argumenta.
O resultado da reunião, segundo Hauly, é irrevogável. O diretório nacional do partido deixou claro que a decisão tomada aqui seria respeitada. ‘‘Para o PSDB o caso Lerner tem um ponto final’’, disse.
Londrina teve três votos: do deputado Luiz Carlos Hauly, Tercílio Turini e Wilson Moreira. Apenas Moreira era favorável à entrada de Lerner.

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