Ida de vereadora ao TC-PR rende bate-boca
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 19 de outubro de 2007
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
Apesar de anunciada já na sessão de terça-feira passada, a viagem a Curitiba da presidente interina da Câmara de Vereadores de Londrina, Maria Ângela Santini (PT), rendeu ontem um bate-boca em Plenário e a acusação de que a iniciativa teria sido ''ou a turismo, ou ingerência política''. A vereadora esteve na capital do Estado anteontem juntamente com o advogado do Legislativo, Paulo Anchieta, mais motorista e carro oficial, para se informar no Tribunal de Contas do Paraná (TC-PR), na 2 Vara da Fazenda Pública e na Procuradoria Geral do Estado sobre os encaminhamentos judiciais em torno da suspensão do parecer do TC que recomenda a desaprovação das contas de 1998 do ex-prefeito Antonio Belinati (PP).
Em Curitiba, a presidente interina e o advogado se reuniram com assessores jurídicos do TC, que informaram que cabe à PGE ingressar ou não recurso que derrube a liminar que suspendeu os efeitos da desaprovação. A medida, da 2 Vara, será publicada hoje no Diário de Justiça com a intimação das partes. Só a partir dela, orientaram os assesossores, o Tribunal pode remeter o processo à Procuradoria. Até que isso seja finalizado, o Legislativo londrinense fica impedido de apreciar o relatório que analisou as contas de 98.
Na Câmara, ontem, seria votada a proposta da Mesa de encaminhar requerimento à PGE para que o órgão encaminhe a Londrina cópias das providências ali tomadas, bem como das petições eventualmente interpostas referentes ao caso. Na liminar obtida semana passada, a defesa de Belinati conseguiu que o juízo aceitasse a tese de que o ex-gestor teria tido cerceado o direito de defesa - o que o TC-PR nega, com base em ofícios remetidos à cidade durante os anos de análise da prestação.
Tão logo o assunto veio ao Plenário, contudo, vieram também as críticas - no caso, do vereador Marcelo Belinati (PP), sobrinho do ex-prefeito. ''Não cabia a ida a Curitiba por vários motivos, entre os quais, que era possível ter acesso aos autos pela internet, ou se informar com o TC pelo telefone. Foram para Curitiba gastando dinheiro público para simplesmente fazer ingerência política, ou até mesmo passear, a turismo. Para se faze algo de efetivo é que não serviu essa viagem'', criticou Belinati. ''Sem falar que a Câmara nem é parte no processo.''
Maria Ângela se defendeu - também por outros vereadores -lembrando que a iniciativa ''foi exposta e aprovada por maioria na sessão de terça''. ''Saímos às 5 da manhã e voltamos às 21h30, com intervalo apenas para almoço. A acusação do vereador não procede, mas se ele disse isso e acredita nisso, que preste contas à sociedade'', afirmou, admitindo levar o caso ao Conselho de Ética da Casa. ''É uma acusação grave e que analisarei com a assessoria jurídica'', concluiu.


