O prefeito Nedson Micheleti (PT) confirmou ontem ter participado, em maio de 2006, de um churrasco na chácara particular do proprietário da boate erótica Shirogoham, Claudemir Medeiros - como publicado ontem pela FOLHA. No evento, segundo declaração de Medeiros ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), ele teria exposto as razões pelas quais necessitava da aprovação de uma lei para permitir o funcionamento do Motel JF, anexo à boate, no Parque das Indústrias Leves. No depoimento, o dono da boate também disse que a aprovação da lei foi articulada pelo secretário municipal de Governo, Adalberto Pereira da Silva, e pelo presidente da Câmara, Sidney de Souza (PTB). O Gaeco investiga se houve pagamento de propina para permitir a operação. Segundo Medeiros, Sidney é sócio do escritório de contabilidade que atende o motel.
Ao contrário do empresário, o prefeito disse que o churrasco foi posterior à aprovação da lei. ''Participei, sem dúvida, foi uma confraternização. Não vejo problemas, eu participo de jantares com empresários, é normal. (Isso foi) logo depois da votação. Creio que o dono do empreendimento ficou contente (com a aprovação da lei)'', declarou ontem, após a solenidade de abertura da 48 Exposição Agropecuária de Londrina. A exemplo dos outros presentes no encontro, Nedson negou que houvesse ''garotas de programa'' na chácara. ''Não tinha, de forma nenhuma''.
O delegado da Polícia Federal (PF), Sandro Roberto Viana dos Santos, disse ontem à FOLHA que sua participação no episódio limitou-se a apresentar Medeiros ao secretário de Governo. ''Eu conheço o Claudemir desde a adolescência e ele me ligou para saber se podia apresentá-lo ao major Adalberto. Eu disse que sim. Mas não pedi nada para ninguém e nem fiquei sabendo o que aconteceu depois. Minha participação foi só essa'', disse. O delegado, que hoje está em Marília (SP), esclareceu que não esteve presente no churrasco citado por Medeiros - o que é confirmado por cópia do depoimento a que a FOLHA teve acesso por uma das partes citadas na investigação. O documento indica que estiveram presentes no churrasco aproximadamente oito vereadores e membros do Executivo. A aprovação da lei ocorreu após operação da Promotoria de Investigações Criminais (PIC) constatar que a boate oferecia quartos para os clientes sem ter alvará para funcionamento de motel.
Adalberto Pereira e Sidney de Souza voltaram a informar ontem por suas assessorias de imprensa que não vão se pronunciar sobre o assunto.

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