A coligação A Vitória do Povo (PSL/PP), do ex-prefeito Antonio Belinati, conseguiu ontem na Justiça da 41 Zona Eleitoral liminar suspendendo provisoriamente a divulgação da pesquisa Ibope que verificaria a intenção de voto em Londrina. O levantamento havia sido encomendado pela Rede Paranaense de Comunicação (RPC), e foi divulgado no telejornal em rede estadual, à noite. A pesquisa foi registrada com o número 42/04.
No pedido encaminhado à Justiça pelo grupo do ex-prefeito, os advogados acusaram o Instituto Ibope Opinião, de São Paulo, de ter tentado negociar o resultado da pesquisa pelo valor de R$ 50 mil. Nos autos, chegaram a constar que o instituto ''é useiro e vezeiro na prática delituosa e na concessão da fraude em pesquisas eleitorais''. Na liminar concedida, o juiz Jurandyr Reis Junior declarou que a denúncia resta ''margem de dúvidas'', já que o PSL teria anexado os resultados da sondagem no pedido levado à Justiça em regime de urgência.
Advogado da coligação, Eduardo Ferreira ingressou ainda ontem à noite na 41 com pedido de mandado de prisão contra o chefe de redação da Coroados/RPC em Londrina, Ossamu Nonaka, alegando que a emissora fora notificada e, mesmo assim, teria descumprido a ordem judicial. Mais tarde, o juiz emitiu nova liminar estendendo a proibição da divulgação a todos os órgãos de imprensa de Londrina, mas, até o fechamento desta edição, ainda não havia julgado o pedido contra Nonaka.
O chefe de redação da emissora alegou que foi notificado por telefone quando o telejornal que vai ao ar, em média, das 18h40 às 19h05 já estava sendo veiculado. ''A intimação só chegou às 19h03, não dava mais tempo'', argumentou Nonaka.
A diretora executiva do Ibope em São Paulo, Márcia Cavallari, refutou as acusações de fraude alegando que a receita anual de US$ 100 milhões da empresa dispensa a iniciativa. ''São acusações absurdas, quero que provem que houve algum tipo de negociação'', criticou. De acordo com Márcia, o resultado foi passado à emissora ontem às 17 horas, da pesquisa feita entre os dias 17 e 18 deste mês. ''Vamos apresentar nossa defesa e ver o que aconteceu em relação ao vazamento das informações, mas adianto que deveremos entrar com ação por perdas e danos pela divulgação de algo sem fato concreto'', garantiu.

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