Agência Estado
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Paciência orientalRomeu Tuma: usando discrição para evitar incidentes diplomáticosBRASÍLIA - A tarefa de ‘‘andar atrás de cheque’’, desprezada pelo relator da CPI, senador Roberto Requião (PMDB-PR), levou ontem o senador Romeu Tuma (PFL-SP) à embaixada do Japão. Tuma foi mostrar ao corpo diplomático japonês um dos documentos encontrados pela CPI dos Títulos Públicos: um cheque do Banco Dimensão por meio do qual a IBF Factoring, do ‘‘laranja’’ Ibrahim Borges Filho, destinou R$ 76,3 mil à embaixada.
Surpresos, os japoneses, que nunca ouviram falar em precatório, prometeram ao senador verificar a origem desse pagamento. ‘‘Pode ser troca de dólar, mas é estranho que seja nominal à embaixada do Japão’’, disse Tuma. O cheque nominal só pode ser depositado na conta administrativa do órgão. Intrigado, o senador evitou fazer comentários sobre o cheque para evitar ‘‘incidentes diplomáticos.’’
Da embaixada Tuma seguiu para o Banco Central, onde teve um encontro com o diretor de Fiscalização, Cláudio Mauch. O diretor informou a Tuma que há duas semanas o BC está fazendo auditoria no Banco Dimensão - uma das conexões usadas pelas corretoras envolvidas no esquema de compra e venda de títulos públicos para desviar os lucros para o Exterior. O senador também pediu ao BC que repasse à CPI os dados já levantados sobre as corretoras JHL, Negocial, Split e Banco Maxi-Divisa.
Tuma também acertou com o Banco Central que a CPI encaminhará uma relação de operações a serem rastreadas do início ao fim. Essas operações constarão do relatório final da CPI como exemplos do sistema de movimentação financeira usado pelas corretoras para lavar o dinheiro obtido ilicitamente a partir da emissão de letras de estados e municípios.

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