Curitiba - O secretário-chefe da Casa Civil do governo estadual, Rafael Iatauro, afirmou ontem que não participou da sessão em que o Tribunal de Contas do Estado (TCE) autorizou, em 2002, o Departamento de Estradas e Rodagem (DER) a realizar um pagamento de R$ 10 milhões à DM Construtora. As declarações serviram para rebater afirmações do secretário da Administração de Curitiba, José Richa Filho, diretor financeiro do DER à época, que alega ter agido com aval do TCE, órgão que era presidido por Iatauro. A polêmica sobre o pagamento é o centro de um conflito político travado entre o governador Roberto Requião (PMDB) e o prefeito da capital, Beto Richa (PSDB).
Na última quinta-feira, Richa Filho, irmão do prefeito, afirmou que o pagamento feito pelo DER foi autorizado pelo TCE após uma consulta. O DER perguntava ao TCE se o governo do Estado poderia fazer um acordo com a DM construtora, que movia ação judicial exigindo o pagamento por obras realizadas pela empreiteira após a conclusão da duplicação da rodovia Curitiba-Garuva.
Ontem, Iatauro afirmou que não participou da sessão do TCE realizada em 24 de setembro de 2002, que autorizou o acordo para o pagamento dos R$ 10 milhões. ''E não teria nada demais se tivesse participado, porque eu era presidente do tribunal. O presidente participa da sessão, mas não debate e não vota, apenas assina uma resolução cumprindo a determinação do tribunal'', justificou. Ainda segundo Iatauro, o TCE não teria autorizado nenhum pagamento. ''O tribunal respondeu que, em casos como esses, é possível fazer o pagamento se se chega à conclusão de que a composição é benéfica para o poder público. Mas pediu que tudo fosse precedido de uma perícia judicial'', explicou.
O secretário da Casa Civil disse também acreditar que a citação de seu nome seria uma tentativa de se ''desviar o foco'' do assunto principal. ''O que o governador Requião fez em 2003 foi uma denúncia direta ao Judiciário de algo que ele achou que era um absurdo. O que se quer saber é se esse pagamento foi feito rigorosamente seguindo as cautelas da resolução do TCE'', afirmou. ''O governo não está acusando ninguém de desvio de dinheiro. O que o governo quer é a apuração dos fatos'', completou.
Em sua declarações esta semana, no entanto, Requião fez acusações diretas contra o prefeito Beto Richa e seu irmão. Em comunicado divulgado pela Agência Estadual de Notícias, que foi redistribuído por Iatauro ontem, consta que ''esse pagamento (de R$ 10 milhões) nada mais foi que uma engenharia financeira para cobrir os gastos de campanha nas eleições para o Governo do Estado em 2002, envolvendo o candidato apoiado pelo governo Jaime Lerner, o então vice-prefeito de Curitiba, Beto Richa''.
Em entrevista à FOLHA ontem, José Richa Filho afirmou ter sido mal interpretado em relação às declarações sobre Iatauro. Segundo ele, apenas citou o nome do ex-presidente do TCE, pessoa próxima a Requião, como alguém que poderia informar o governador sobre o caso.

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