Curitiba - O secretário-chefe da Casa Civil, Rafael Iatauro, disse ontem que o governador Roberto Requião (PMDB) ''não suspendeu, e nem vai suspender, nenhum recurso do Estado'' destinado à Prefeitura de Curitiba. Um suposto corte nos repasses foi anunciado pelo próprio prefeito da Capital, Beto Richa (PSDB), ontem pela manhã. Logo no início da tarde, porém, Iatauro convocou uma entrevista coletiva no Palácio Iguaçu com o intuito de apaziguar os ânimos.
Iatauro explicou que ''do ponto de vista político, as relações já não eram as melhores''. Mas, completou Iatauro, ''administrativamente não há mudanças''. ''Requião não cortou absolutamente nada. O que pode ter acontecido com todos os municípios é uma retração dos repasses em função da recente reforma estrutural do Executivo'', garantiu ele.
Iatauro também saiu em defesa do governador. Segundo ele, o prefeito estaria ''equivocado ou mal informado'' sobre o episódio da ''escolinha''. ''Em momento algum o Requião citou o pai do Richa (ex-governador do Estado José Richa, já falecido)'', afirma ele. Em trecho da ''carta aberta aos paranaenses'', divulgada anteontem e assinada por membros da família Richa, é dito que Requião teria tentado denegrir a imagem do ex-governador.
Em relação à denúncia feita pelo governador, de que o prefeito teria recebido dinheiro do Departamento de Estradas de Rodagem (DER), órgão vinculado ao Estado, para sua campanha política em 2002, Iatauro disse apenas que ''Requião não faria acusações vazias, sem provas ou indícios''. ''Requião ficou revoltado com a intimação que recebeu (antes do início da 'escolinha') porque é como se o denunciante passasse a ser réu. Não é agradável'', defendeu Iatauro. A intimação recebida pelo governador anteontem se refere ao processo aberto pela publicitária Cila Schulman, em 2002 à frente da campanha eleitoral do Beto Richa. Ela o acusa de difamá-la, já que Requião teria dito que a publicitária é quem teria recebido o dinheiro do DER.
A assessoria de imprensa da Casa Civil divulgou ontem um nota para explicar que as denúncias do governador são objeto de uma ação que tramita na 2 Vara da Fazenda Pública em Curitiba. A ação foi proposta pela Procuradoria-Geral do Estado em março de 2003 e pede, segundo a nota, ''a nulidade do pagamento (supostamente feito pelo DER)''. Em outros trechos da nota, também há críticas à reação do prefeito em função do episódio da ''escolinha''. ''O esperneio, a má-educação, o apelo fácil e constrangedor a memórias familiares não podem encobrir a verdade. Por mais que o prefeito grite e ofenda, isto não vai livrá-lo da suspeita.''

mockup