Hugo Napoleão assume governo do Piauí
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terça-feira, 20 de novembro de 2001
Cláudio Barros<Br>Agência Estado - De Teresina 
O novo governador do Piauí, Hugo Napoleão (PFL), assumiu o mandato ontem, prometendo ''passar o Piauí a limpo''. Ele não deixou claro o que será feito, mas, nos 13 meses e dez dias que lhe restam de mandato, deverá promover auditorias para investigar irregularidades na administração do antecessor, o ex-governador Francisco de Assis Moraes Souza (PMDB), o Mão Santa, cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por abuso do poder econômico.
O novo governador também determinará um exame analítico para indicar as razões do pagamento de R$ 3 milhões a fornecedores do Estado nas últimas duas semanas. Ontem mesmo, ele decidiu que ficam suspensos a partir de hoje todos os pagamentos a fornecedores e empreiteiros. A prioridade será a folha de pessoal.
Napoleão foi diplomado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE), após uma batalha judicial que durou 13 dias, durante os quais se criou um impasse entre a diplomação do novo governador e a convocação de novas eleições. Pela decisão do TRE, os votos que deram o mandato ao novo governador foram os do primeiro turno da eleição de 1998.
Na sessão de ontem do TRE, três dos cinco juízes decidiram pela diplomação. A votação esteve empatada em dois a dois. O voto de minerva para o desempate foi dado pelo desembargador João Batista Machado, que presidiu a sessão porque o PMDB entrou com um mandado de segurança contra a resolução do presidente do TRE, desembargador Antônio Gonçalves.
Antes da votação, o procurador eleitoral Tranvanvan Feitosa advertiu os juízes que a não diplomação do novo governador seria ''o absurdo do absurdo jurídico''. Feitosa afirmou que ''a torpeza do candidato corrupto não pode produzir efeito negativo sobre quaisquer outros''.
O advogado de Mão Santa, Macário Oliveira, informou que ainda ontem entraria com dois recursos, um no TSE e outro no Supremo Tribunal Federal (STF), para que fosse revista a decisão que favoreceu Napoleão. Ele entende que, nos votos, os juízes tiveram interpretações diferentes da legislação eleitoral e da Constituição Federal. Um dos juízes, José James, sugeriu que houvesse eleição indireta do novo governador pela Assembléia.
O novo governador do Piauí administrará um Estado pobre, com indicadores sociais desfavoráveis e uma dívida de R$ 1,4 bilhão, maior que o orçamento estadual para 2002, de R$ 1,3 bilhão. Ele disse que as prioridades serão a geração de emprego e renda, melhoria da saúde e educação. ''Nós vamos trabalhar em paz, sem perseguição e sem ressentimentos'', disse, ao chegar para a diplomação no TRE. De lá, ele seguiu rumo à Assembléia, onde tomou posse diante de um Legislativo em que conta com dez dos 30 deputados.


