HSBC é acusado de grampear sindicato
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terça-feira, 29 de maio de 2001
Emerson Cervi De Curitiba 
O Banco HSBC fez escuta clandestina de telefones de dirigentes do Sindicato dos Bancários de Curitiba e Região Metropolitana entre 1997 e 2000, com auxílio de policiais militares do Paraná. Essa denúncia foi formalizada ontem de manhã pelo presidente do sindicato, José Daniel Farias, aos deputados da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Telefonia. O sindicato está processando o banco na 20ª vara cível, onde requer uma indenização por danos morais. Dirigentes sindicais e seus familiares foram alvo de escutas clandestinas promovidas pelo Banco HSBC, afirmou Farias.
Além de escutas telefônicas, os sindicalistas tiveram seus sigilos fiscais quebrados e houve infiltração de agentes do banco no sindicato. Quem é mais antigo no movimento sindical lembra que esse tipo de coisa acontecia no período da ditadura, não imaginava que pudesse se repetir agora. O sargento da PM, Jorge Luis Martins, e a empresa Centro de Investigação Empresarial (CIE), foram contratados pelo banco para desenvolver trabalhos na área de informações.
As investigações clandestinas estavam sob responsabilidade do Centro de Inteligência do HSBC no Brasil, que é dirigido pelo coronel reformado do exército americano, Lewis Keith. A arapongagem foi descoberta pelo sindicato porque o sargento da polícia militar, contratado pelo Centro de Inteligência do HSBC foi demitido em fevereiro de 2000. Em função da demissão, Martins procurou o sindicato para acionar o banco na Justiça. Ele contou as funções que desenvolvia na empresa privada e isso gerou uma denúncia na polícia militar.
O Comando do Policiamento da Capital (Copom) abriu um Inquérito Policial Militar (IPM) no ano passado para investigar desvio de conduta do sargento. O estatuto da PM proíbe que policiais em serviço sejam contratados pela iniciativa privada. O IPM 088/2000 foi encerrado em janeiro desse ano com a solicitação de exoneração do policial.
O sargento está recorrendo da decisão ao governador do Estado. Ele diz que foi contratado pelo banco por determinação do comando da polícia. Segundo o advogado do sargento, Maurício Mota Canto, meu cliente agiu sob ordens expressas do comando e tenho certeza que ele conseguirá reverter a exoneração. Diante das acusações, o sargento relatou todas as ações do centro de inteligência do HSBC no IPM. Cópia desse material foi repassado ao Sindicato dos Bancários, que decidiu abrir um processo civil contra o banco. O sindicato também informou o Banco Central sobre as possíveis atividades ilícitas.
Diante da gravidade das denúncias, os deputados da CPI da Telefonia decidiram convocar todos os citados no IPM e no processo movido pelo Sindicato dos Bancários nas próximas semanas. Para a reunião da próxima quinta-feira serão convocados a depor o chefe da casa militar, coronel Luis Antonio Borges Vieira, e o secretário Especial da Chefia do gabinete do governador, Gerson Guelmann. Na outra semana serão convocados o sargento exonerado da PM e diretores da empresa CIE, que prestavam serviços ao HSBC.
A Comissão também possui cópias de Recibos de Pagamentos de Autônomos (RPA) do HSBC a delegados da polícia civil, policiais militares e federais. Os deputados querem explicações do banco sobre o motivo desses pagamentos e se eles não ferem os estatutos policiais.


