"Já não há mais espaço para governos indiferentes à sorte de seu povo", afirmou Michel Temer, ao lado do argentino Mauricio Macri, sobre crise vivida pela Venezuela
"Já não há mais espaço para governos indiferentes à sorte de seu povo", afirmou Michel Temer, ao lado do argentino Mauricio Macri, sobre crise vivida pela Venezuela | Foto: Andres Larrovere/AFP



Mendoza, Argentina - Em sua intervenção na manhã dessa sexta-feira (21) na Cúpula do Mercosul, em Mendoza, o presidente Michel Temer, que assume a Presidência pro tempore do bloco, disse que considera "natural e saudável" que existam na região "governos de diferentes inclinações políticas", mas que "é fundamental que se observe o primado do Estado democrático de Direito".
Temer acrescentou que, por isso, acompanha com grande preocupação a situação na Venezuela, presidido por Nicolás Maduro.

"Somos sensíveis à deterioração do quadro político-institucional, às carências sociais que, nesse país amigo, ganham contornos de crise humanitária", disse.
Ele reforçou que não há espaço, na América do Sul, para prisões arbitrárias, medidas de repressão política e atos incompatíveis com os preceitos democráticos.

"Já não há mais espaço para governos indiferentes à sorte de seu povo", afirmou Temer. Por fim, o presidente concluiu dizendo que "nossos chanceleres reconheceram formalmente a ruptura da ordem democrática na Venezuela".
"Nossa mensagem é clara: conquistamos a democracia, em nossa região, com grande sacrifício, e não nos calaremos, não nos omitiremos frente a retrocessos", afirmou.

CONSTITUINTE
Mais cedo, o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Aloysio Nunes, disse pouco antes de iniciada a cúpula que, com relação ao documento final do encontro, em que haverá uma referência à situação na Venezuela, "não há a intenção de dar um ultimato".

"Não será um ultimato, mas sim um apelo para que haja uma negociação séria mediante a suspensão das medidas arbitrárias, do processo constituinte, e vamos discutir a sequência da reunião do dia 7 de abril, quando, nos termos do Protocolo de Ushuaia, foi constatada a quebra da ordem democrática", afirmou Nunes.

COCHILO
O ministro da economia, Henrique Meirelles, dormiu durante o discurso do presidente Michel Temer na Cúpula do Mercosul, que ocorre em Mendoza, na Argentina. Meirelles, que integrava a comitiva brasileira, estava sentado ao lado de Temer e cochilou diversas vezes durante a fala presidencial.

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