Brasília - Com um tom fortemente político, o ministro Gilmar Mendes fez ontem o voto mais contundente contra os embargos infringentes, optando por reforçar a tese da denúncia do Ministério Público Federal de que o mensalão foi o maior escândalo de corrupção da história do País.

De acordo com Gilmar Mendes, no caso do mensalão, houve uma "confusão clara entre partido e Estado". Ele sustentou ser uma diminuição sujeitar o tribunal a fazer uma reanálise das decisões tomadas no ano passado e sugeriu que as mudanças na composição do STF estariam por trás da pressão das defesas dos réus por um novo julgamento.

O ministro também rechaçou as críticas feitas à Corte pelo tamanho das penas impostas aos condenados. Para tanto, ele citou o caso do deputado federal Natan Donadon, condenado a mais de 13 anos de prisão por participação em desvio de recursos públicos. "Se comparado o mensalão ao crime de Donadon, cuja fraude é de R$ 8 milhões, esse caso (do deputado preso) teria que ser analisado num juizado de pequenas causas", afirmou Gilmar Mendes.

O ministro disse que o processo do mensalão foi exaustivamente analisado pelo STF. Mais tarde, ele provocou o tribunal: "Por que não embargos infringentes às punições que os pais aplicam aos filhos?".

Para tentar convencer o decano da Corte, Celso de Mello, a aderir à tese contrária aos embargos infringentes, Gilmar Mendes citou trechos do voto do colega no julgamento do processo do mensalão. "Formou-se na cúpula do poder um estranho e pernicioso poder constituído para cometer crimes, agindo nos subterramos do poder, à sombra do Estado, para lesionar a paz pública", rememorou.

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