Horário eleitoral termina com ataques
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sexta-feira, 29 de outubro de 2004
Janaina Garcia<br> Reportagem Local 
Conforme anunciado na véspera pelas coordenações de campanha, o último dia dos dois candidatos à Prefeitura de Londrina no horário eleitoral, ontem, foi dedicado à apresentação do que já foi feito em suas administrações e o que poderá ser feito em outro eventual mandato. O tom propositivo, contudo, não impediu a troca de acusações que marcou os programas deste segundo turno, nem o pedido de orações e convencimento aos amigos e eleitores que irão às urnas no domingo.
A propaganda eleitoral gratuita ocupou 19 dias no rádio e na TV com 80 minutos diários, nas duas mídias, divididos igualmente entre o ex-prefeito Antonio Belinati (PSL) e o candidato à reeleição, Nedson Micheleti (PT).
As últimas aparições foram também as que inauguraram as conversas com o eleitorado feita pelos dois vices das campanhas, Carlos Bordin (PP) e Luiz Fernando Pinto Dias (PT). No material veiculado no rádio, o petista foi apresentado como militante do partido desde 1982. Na TV, Bordin usou o tempo para reiterar propostas de Belinati à área da educação.
As amenidades foram economizadas nos ataques diretos e indiretos proferidos pelos dois grupos. No rádio, mais uma vez Nedson se colocou como o ''caminho do bem, o caminho da decência'', logo após um teatrinho simulando a conversa de eleitores que criticavam as promessas de campanha de Belinati. Na conversa, os interlocutores também lembraram da cassação do ex-prefeito e dos mais de 30 processos que ele responde na Justiça. Esquema semelhante o de por as críticas na boca de eleitores foi adotado pelos petistas também na TV, onde o ataque a Belinati veio nas enquetes feitas no Calçadão (Área Central). O tempo restante foi reservado para propostas voltadas à área ambiental.
Já o programa do PSL no rádio partiu do tom incisivamente religioso no início com o locutor lendo três passagens da Bíblia às críticas sistemáticas contra a figura de Nedson, nas palavras do próprio Belinati. Cerca de 30% do tempo total de seu programa foi usado para mostrar que ''Nedson foi bom para os banqueiros (porque teria baixado impostos deles)'', em frase repetida pelo menos cinco vezes.
Na TV, o ex-prefeito elencou uma série de obras inauguradas em gestões dele, inclusive dois shoppings centers particulares da cidade nos quais há placas constando a administração municipal da época. Ao final, Belinati voltou a alfinetar o adversário: ''Estão usando graúdos, gente que sequer conhece Londrina, que nada fez pela cidade, para influenciar o seu voto'', alertou, referindo-se, ainda que indiretamente, às visitas de apoio à campanha de Nedson. Entre elas, a de ministros, do presidente nacional do PT, José Genoino, do governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB), e a do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O encerramento, veiculado na TV na faixa das 20h30, destoou das edições do resto do dia. A coligação de Nedson optou por mostrar o progresso do candidato nas pesquisas, desde o primeiro turno, e novamente aderiu às declarações de apoio de outros políticos. A de Belinati deu ênfase às cenas com o ex-prefeito abraçando criancinhas e à declaração da ex-governadora e ex-esposa dele, Emília Belinati (PFL), que pediu ao eleitor a ''multiplicação dos votos''.


