Hora do equilíbrio
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019
Luiz Geraldo Mazza 
Hora do equilíbrio
A imprensa nacional faz seguidamente o confronto entre o tratamento judicial a Lula e aos seus adversários para evidenciar o matiz seletivo. E isso vem lá de trás, antes da Lava Jato, no desdobramento do mensalão, com os privilégios concedidos ao senador mineiro Azeredo, só muito depois devidamente enquadrado. É verdade que pegaram o chefão da Câmara Federal, Eduardo Cunha, comandante da derrubada de Dilma Rousseff, e os governantes do Rio de Janeiro, Sergio Cabral e seu sucessor Pezão, da mesma trinca partidária.
Agora pegaram o Paulo Preto, há muito apontado como o operador dos governos tucanos em São Paulo e com vestígios de passagens por paraísos fiscais, volta e meia beneficiado por medidas liberatórias da instância superior, e a demora é tão grande que boa parte dos procedimentos já estaria prejudicada pelo alento prescricional. A ação da Lava Jato pegou também um resistente ao regime militar do PSDB, o ex-chanceler Aloysio Nunes, mais guerrilheiro que Zé Dirceu, numa operação de busca e apreensão.
Não há como negar que o fluxo judicial contra o ex-presidente da República, Lula, é mais férreo e deliberado. Já foi condenado duas vezes, com o caso do tríplex do Guarujá ratificado no TRF4, segunda instância. Por sinal que o lado mais espetacular de tudo isso se dará em abril, quando o STF reexaminar a intrincada pendência da prisão pós segunda instância, incluída como matéria de fé no pacote de Sergio Moro encaminhado à Câmara Federal e devidamente fatiado. A esperança do lulopetismo, voltada freneticamente por sua libertação, jogaria sua tacada de maior expressão nesse julgamento, novamente vista a Suprema Corte como espécie de octógono das disputas essencialmente políticas.
Implosão no horizonte
Não bastassem as crises do governo Bolsonaro, amplamente expostas nos áudios da revista Veja, e num momento em que se aposta numa redenção expressa na reforma previdenciária, pinta o alarme do fechamento da fábrica de caminhões da Ford em São Bernardo do Campo e que pode gerar dispensa de 24 mil trabalhadores, direta ou indiretamente envolvidos nesse processo.
Curioso é assinalar que uma concorrente do segmento em Curitiba, a Volvo, programa investimento de R$ 250 milhões e a consequente criação de 300 vagas obreiras. Caminhões pesados são uma consequência nacional de surtos de desenvolvimento, mas já se detectou sinais claros de saturação nesse segmento, produtos incompatíveis com crise e recessão e boa parte animada pela nem sempre racional guerra fiscal entre estados no desespero de emplacar montadoras.
Volta e meia, quando ocorre um caso de supressão fabril, ainda mais nessa área, posto que esse caso específico esteja programado para ocorrer ao longo do ano, a imaginação primeira que se dá é na hipótese do efeito cascata. Convenhamos que perto disso aí os áudios que confrontam as falas de Jair Bolsonaro e especialmente as do filho do meio, o Carlos, levam jeito de fofoca.
De leve
Um teste já foi feito quanto à metabolização de mensagens governamentais: o decreto que alterava normas da Lei de Acesso foi derrubado terça-feira (19) no plenário da Câmara Federal. Embora não se tratasse de matéria de maior risco, ela aciona o sistema de cautelas para aquilo que já está em tramitação como o pacote anticrime. Para o caso da previdência, tal o que significa em termos de afirmação, não há como admitir descuidos.
Sistema S
Bem mais forte que a breve referência de Paulo Guedes sobre possíveis mexidas que faria no Sistema S, tivemos a prisão e posterior soltura do presidente da Confederação Nacional da Indústria, Robson Braga de Andrade, em ação da Justiça Federal que investiga desvios na área pelo uso de Ongs e empresas de fachada na celebração de contratos que chegam a R$ 400 milhões e envolvem o Ministério do Turismo.
O Brasil está mudando não no ritmo do desejável, mas do possível. E a política é essencialmente isso - aproximar o desejável, às vezes distante demais e utópico, daquilo que se define organicamente como o possível. Todas as teses da humanidade se ajustam a esse teste e nada é desprezível: o delírio de hoje pode ser a rotina do amanhã.
Mais sinais
Consolidados os indicadores de melhora no mercado imobiliário percebeu-se que a adesão ao sistema de consórcios movimentou em 2018 no país R$ 106,8 bilhões, o que representou quase 5% de alta sobre o ano anterior, prova do andamento gradual do processo. Nesse campo o Paraná, que representa 12% do total nacional, cresceu 11% .Em Curitiba, Londrina e centros urbanos de porte isso é perceptível.
Folclore
Moacir Tosin, o Jacaré, passou por duas vezes em crise porque precisava urinar e não podia deixar a presidência da Câmara Municipal de Curitiba e valeu-se de um vaso transformado em urinol e na outra se soltou no jardim da prefeitura. Provou que às vezes micção é missão.


