Honestidade virou marca de Wilson Moreira
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domingo, 17 de fevereiro de 2008
Edson Pereira Filho<br> Reportagem Local 
O corpo do ex-prefeito Wilson Moreira foi velado sábado e ontem no acanhado salão de entrada da Câmara Municipal de Londrina. Ele era considerado pelos presentes ao velório como o adversário número um do desperdício e malversação do dinheiro público, e defensor implacável da economia nos gastos da coisa pública. Seu corpo dentro da casa de leis de Londrina parecia representar uma espécie de sinal para autoridades, devido as denúncias de corrupção que pairam sob cinco vereadores de Londrina.
Já passavam das 13h30 da tarde de sábado, quando o amigo e vice-prefeito de Moreira, Délio César, andava de um lado para outro contando as histórias de personalidades políticas, entremeando em suas conversas a saudades do amigo que havia morrido horas antes. Demonstrando inconformismo, Délio resolveu esclarecer como de fato definia o ex-prefeito que governou Londrina na década de 80. ''Ele não era munheca. Ele era contra o desperdício'', vaticinava.
Por volta de 14h30, todos aguardavam o féretro do ex-prefeito, que deveria ter chegado ao prédio da Câmara para ser velado às 14h. A filha de Moreira, Gilza, aguardava com dois dos cinco netos - Rafael e Fabiana - o corpo do avô. Enquanto isso, dezenas de coroas de flores chegavam. O corpo chegaria momentos depois, Gilza e os netos, abraçados, choravam contidamente.
Era 15h, quando dona Guiomar, como é conhecida a esposa do ex-prefeito, chegava acolhida por três dos quatros filhos. Gilza, Fabiana e Júnior aparavam a matriarca da família, fragilizada pela morte do marido. Cerca de uma centena de pessoas se comprimiam no acanhado espaço do velório.
Era comum ouvir dos presentes, casos que fizeram história envolvendo o ex-prefeito. Em meio ao burburinho, história dos carneiros utilizados pelo prefeito para ''capinar'' o mato em espaços públicos. ''Isto virou assunto nacional'', lembrava Tercílio Turini, vereador em Londrina. Em outra roda de amigos de Moreira, ouviam-se histórias que o ex-prefeito apagava luzes e desligava aparelhos elétricos acionados desnecessariamente na prefeitura.
O lavrador Darcy de Andrade, do distrito de Irerê, contou que veio prestar sua última homenagem ao amigo de vida política. ''Pois é, agora não temos mais quem nos oriente para votar'', disse o agricultor, se referindo ao líder político. Para o empresário Jamil Richa, irmão do prefeito de Curitiba, Beto Richa, Moreira era uma espécie de ''guru'' nos negócios e na vida. ''O Wilson tinha o pé no chão e orientava as pessoas'', destacava.
Para o deputado estadual, Durval Amaral, que disse não ter partilhado da vida pessoal do ex-prefeito, Moreira era ótimo negociador. ''O doutor Wilson era um homem de palavra, uma pessoa séria e honesta''. O ex-prefeito de Cambé e presidente da Associação Brasileira de Municípios, José Carmo Garcia, lembrava das virtudes do ex-prefeito. ''O senhor Wilson sempre foi ícone da honestidade, uma referência à boa gestão da coisa pública''.


