Homônimos criam labirinto
Homônimos criam labirinto
Arquivo FolhaNO RASTRORobson Tuma: sistema tem acesso a verdadeira indústria de falsificação. São usados laranjas e nomes de pessoas mortas O crime organizado e as operações de lavagem de dinheiro utilizam identidades falsas e laranjas em profusão. Mas o método empregado pelo cabeça do esquema, Maurício D., ou pelo grupo de pessoas que age com este nome, sofisticou o esquema. Quando a Conexão Campinas começou a cair, a CPI do Narcotráfico descobriu um dos caminhos utilizados pelo empresário campineiro Willian Walder Sozza para ocultar os membros da quadrilha. Em sua casa, debaixo da gaveta de uma escrivaninha, foram encontradas baterias de documentos falsos, com cédulas de identidade, CICs, e carteiras de habilitação.
As baterias de documentos estavam prontas para ser utilizadas, com as respectivas chancelas da Secretaria de Segurança Pública, do Detran e da Receita Federal. Todos estes documentos falsos utilizavam o nome de pessoas mortas recentemente. Fernando Antonio Silva Filho, por exemplo, é um homem que morreu em São Paulo no dia 28 de fevereiro de 99.
Maurício D. tem acesso a esta mesma indústria de falsificação, mas ao que tudo indica utiliza também o nome de pessoas vivas, diz Tuma. A utilização de identidades com homônimos vivos cria um labirinto de nomes e confunde as investigações. Procuramos um nome, encontramos o homônimo e voltamos à estaca zero, diz Tuma. Quatro outros nomes, além de Maurício D., foram exaustivamente investigados pelos jornais nos últimos dez dias. Estes nomes serão mantidos em sigilo para resguardar a privacidade dos homônimos e não atrapalhar as investigações.
Dois deles são de Goiânia, um de Curitiba e outro ainda não teve sua origem identificada pelos parlamentares da comissão. Pelo menos dois destes nomes deixaram rastros com histórias obscuras em várias cidades brasileiras. Um deles, Alfredo Roberto H., envolveu-se em golpes e transações milionárias, abriu empresas e teria sofrido inclusive um atentado em Belo Horizonte, há dois anos.
O deputado Robson Tuma investiga a possibilidade de que alguns nomes utilizados por Maurício D. tenham sido cedidos a ele conscientemente pelos homônimos, em troca de favores ou dinheiro. Seriam seus laranjas, diz. Com este método, Maurício D. teria como saber que está sendo perseguido.
Quando a polícia chega ao seu homônimo ele é imediatamente avisado. Investigações feitas nos últimos dez dias reforçaram esta hipótese. Após o primeiro contato, as pessoas envolvidas se fecham, não atendem mais ao telefone ou simplesmente desaparecem de circulação.





