Porto Alegre - A ida do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a duas reuniões internacionais antagônicas - o Fórum Social Mundial e o Fórum Econômico de Davos - na mesma semana não é considerada contraditória pelos criadores do encontro de esquerdas, que começa hoje em Porto Alegre. Ele é presidente de milhões de brasileiros, representa o país, é natural que seja convidado, disse um dos idealizadores do FSM, Chico Whitaker.
Amanhã, Lula vai receber os movimentos sociais para um diálogo sobre seus sete anos de governo e para a comemoração dos dez anos do Fórum Social Mundial. Na quinta-feira, receberá em Davos o prêmio de Estadista Global. Descontraído, Oded Grajew, também considerado pai do FSM, disse que Davos é um lugar bonito e que recomenda a visita. Conheço Davos, é um lugar ótimo, só não se pode levar adiante as ideias de lá. Acho muito bom ir lá, a comida é ótima, os vinhos são bons, só não se pode trazer as ideias, brincou.
Whitaker ponderou que em 2001, quando o Fórum Social foi criado como um contraponto à reunião de Davos, o convidado de honra do evento suíço era o ex-presidente argentino Carlos Menem, um dos símbolos da política neoliberal na América Latina. Um ano depois, a economia do país quebrou. Homenagearem o Lula agora é um sinal de que Davos mudou. Mas é difícil esperar que eles admitam que não estavam certos.''
Ao contrário da reunião de Davos, que segundo Whitaker, mais uma vez terá clima de velório, o Fórum Social Mundial conseguiu propor soluções para que alguns países saíssem mais rápido da crise financeira internacional, caso do Brasil. O Fórum sempre se advogou pela distribuição de renda, fortalecimento do mercado interno, diversificação das relações internacionais, menos dependência. E isso foi colocado em prática no Brasil e em outros países da América Latina. Não foi por obra do destino ou vontade de Deus que o Brasil tenha se saído melhor da crise, as propostas do Fórum foram seguidas e permitiram recuperação mais rápida, apontou Grajew.
Com expectativa de público de 30 mil pessoas até sexta-feira, o Fórum Social Mundial vai abrigar cerca de 600 atividades em Porto Alegre e na região metropolitana da capital gaúcha.

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