Homem que denunciou máfia sai da prisão durante o dia
O economista José Carlos Alves dos Santos (foto), condenado a 20 anos de prisão pela morte de sua mulher Ana Elizabeth Lofrano, e responsável pela denúncia que resultou no escândalo da Máfia do Orçamento, está em liberdade e tornou-se corretor de imóveis. Por ter cumprido um sexto de sua pena, José Carlos foi beneficiado com regime semi-aberto e durante o dia trabalha na imobiliária de seu advogado, retornando à noite para dormir no 3º Batalhão de Polícia Militar, em Brasília, onde está preso há mais de cinco anos.
Sem a barba que cultivou durante mais de 20 anos, José Carlos percorre, de segunda a sábado, os 50 quilômetros entre Brasília e Planaltina, onde fica seu trabalho, para ganhar um salário mensal de R$ 600,00. Estou trabalhando como um cidadão comum, diz o homem que denunciou os anões do orçamento.
A autorização para que José Carlos trabalhasse foi dada pela juíza Giselle Rocha Raposo Ribas, substituta na Vara de Execuções Criminais do Distrito Federal. Ele deverá prestar serviços à imobiliária do advogado Joaquim Flávio Spíndula das 10 às 19 horas, e retornar ao quartel da PM até as 20 horas. O que fiz é uma ação que muitos empresários deveriam fazer, justificou Spíndula. É preciso que a classe empresarial ajude na socialização dos presos.
José Carlos dedica-se a fazer um estudo para a expansão da imobiliária, que irá abrir duas filiais. Nas horas vagas, ajuda o patrão a vender imóveis - mesmo sem ganhar comissão, segundo garantiu - e não se importa de ser reconhecido, hoje com o cabelo mais curto e de bigode branco. Sou uma pessoa normal, e não estou fazendo nada de errado, afirma.





