Homem-mala de Youssef deixa a prisão
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sábado, 29 de novembro de 2014
Rubens Chueire Jr.<br>Reportagem Local 
Curitiba - O irmão do ex-ministro das Cidades, Mario Negromonte (PP-BA), Adarico Negromonte Filho, e que é apontado pelas investigações da sétima fase da Operação Lava Jato como uma das pessoas usadas pelo doleiro Alberto Youssef para transportar dinheiro de pagamento de propina, deixou a carceragem da Superintendência da Polícia Federal (PF) no final da tarde de ontem. A Justiça Federal do Paraná revogou sua prisão, não acatando o pedido feito pelo Ministério Público Federal (MPF) que solicitava a conversão da prisão temporária em preventiva.
Em sua decisão, entretanto, Moro impôs a Adarico o cumprimento de medidas cautelares substitutivas. São elas: proibição de deixar o País; proibição de mudar de endereço sem autorização da Justiça; obrigação de entregar o passaporte no prazo de cinco dias (se ainda não tiver feito isso); obrigação de comparecer a todos os atos do processo, tanto na investigação como na eventual ação penal, inclusive mediante intimação por qualquer meio, inclusive telefone.
Negromonte se entregou na última segunda-feira, onze dias após ter a prisão decretada e, segundo sua defesa, prestou esclarecimentos aos delegados no mesmo dia. Por ter colaborado com as investigações e ter uma idade avançada (68 anos), a advogada Joyce Roysen já tinha alegado anteriormente que não havia necessidade de prorrogação da prisão de seu cliente.
A defesa ainda ressaltou que Adarico tem bons antecedentes, possui residência fixa e coloca-se à "inteira disposição para comparecer perante a Justiça Federal ou à Polícia Federal sempre que solicitado".
Em seu despacho, Moro ressaltou que, "muito embora haja prova, em cognição sumária, de que Adarico Negromonte Filho teria participado do grupo criminoso dirigido por Alberto Youssef dedicado à lavagem de dinheiro e ao pagamento de propina a agentes públicos, forçoso reconhecer que o papel era de caráter subordinado, encarregando-se transportar e distribuir o dinheiro aos beneficiários dos pagamentos".
"O juiz foi bastante ponderado e destacou que a prisão cautelar era uma medida excepcional e, com base na presunção de inocência, ele não prorrogou a temporária do Adarico e nem mesmo decretou a prisão preventiva", ressaltou a advogada Joyce. Ainda segundo ela, ontem mesmo seu cliente já iria retornar para sua residência na cidade de Registro (SP).
AÇÃO PENAL
Na tarde de ontem, quatro réus citados em um dos processos da Lava Jato que já tramita na Justiça Federal do Paraná foram interrogados em Curitiba. Além do doleiro Carlos Habib Chater, preso em março deste ano por lavagem de dinheiro e outros crimes financeiros, também foram ouvidos André Catão de Miranda, acusado de realizar operações de câmbio para Chater, Ediel Viana da Silva, acusado de ser o braço direito de Chater, e André Luiz Paula Santos, acusado de realizar transporte irregular de valores para o doleiro.
Chater já foi condenado em outra ação penal da primeira fase da Lava Jato. O juiz Sérgio Moro condenou o doleiro a cinco anos e seis meses de prisão em regime fechado por lavagem de dinheiro proveniente de tráfico de drogas. No mesmo processo, André Catão de Miranda foi condenado a quatro anos de regime semiaberto. Chater atualmente está preso na Casa de Custódia de São José dos Pinhais, assim como André Luiz Paula Santos.
Este processo é decorrente da primeira fase da Lava Jato. As investigações apontam que o esquema montado por doleiros e seus comparsas consistia na lavagem de dinheiro no mercado clandestino de câmbio com origem do tráfico de drogas, corrupção, sonegação fiscal e desvio de verbas públicas. A participação de políticos e de grandes executivos de empreiteiras no esquema foram surgindo ao longo das investigações.


