Campo Mourão - De homem-forte do primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a um dos principais réus no escândalo do mensalão, o ex-ministro José Dirceu começa a voltar ao cenário político nacional, cinco anos depois das denúncias do ex-deputado Roberto Jefferson (PTB), agora na confortável condição de ''advogado e consultor internacional'' em palestras voltadas ao empresariado. Foi assim que ele se apresentou ontem à tarde na Associação Comercial e Empresarial de Campo Mourão (Noroeste), pouco depois de adiantar, em uma entrevista coletiva, que a campanha à Presidência da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff - hoje, no mesmo posto que ele ocupara no passado -, terá um viés específico na região Sul e no estado de São Paulo.
Ao lado do filho, o prefeito de Cruzeiro D'Oeste e pré-candidato a deputado federal Zeca Dirceu, o ex-ministro citou diversos programas e números do Governo Lula em comparação com o antecessor, Fernando Henrique Cardoso, tucano como o adversário de Dilma, José Serra.
Anunciado na convenção petista da semana passada como um dos nomes de coordenação da campanha atual, Dirceu negou o título, a mesma forma como citou, em mais de uma ocasião, a distância de cinco anos do poder. Essa menção, por sinal, foi feita justamente quando indagado sobre suposto lobby em prol de beneficiários da reestruturação da Telebrás. ''Essa questão é muito complexa e econômica para se atribuir a mim - estou fora do governo há cinco anos. É muita política eleitoral, talvez uma tentativa de atingir o plano nacional de banda larga do governo, mais isso'', justificou.
Sobre a campanha da ministra, disse, após expor as ações previstas, que não é o coordenador, mas ''um dos 84 dirigentes do PT, estou como militante''. Indagado pela FOLHA se participaria de eventual governo petista, foi enfático: ''Não. Enquanto o Supremo Tribunal Federal (STF) não me julgar, eu não aceitaria, nem de coordenação de campanha''.
A respeito da campanha no Sul, o ex-ministro atribuiu a diferença de ações em relação a estados como Minas Gerais e Rio de Janeiro, por exemplo, ou a regiões como Nordeste e Norte, à rejeição sofrida pelo PT nas duas últimas eleições presidenciais nas grandes cidades do Paraná. José Serra (2002) e Geraldo Alckmin (2006) se sobressaíram à candidatura de Lula, perante o eleitorado.
''Lula é Lula, o Brasil não tem outro, não podemos compará-lo com ninguém. Mas a Dilma tem 30% já, a rejeição tem diminuído muito, e o PT hoje é o partido da preferência de 29% dos brasileiros que tem opção partidária, que são 50%'', disse, para completar: ''Existe a necessidade de se fazer uma campanha específica para Sul porque é uma região que tem características especiais. Mas pelo que fizemos pela agricultura familiar, pelo agronegócio, tanto aqui quanto em Santa Catarina e Rio Grande do Sul, acredito que temos condições de ganhar a eleição na região''.
Sobre os palanques que devem ser frequentados em território paranaense, Dirceu mencionou, mais de uma vez, o ''palanque ideal'' de aliança entre o PT, o PMDB do governador Roberto Requião e o PDT do pré-candidato ao governo, senador Osmar Dias. Se as farpas públicas entre Requião e o ministro petista Paulo Bernardo (Planejamento) estremeceram a relação? ''Isso faz parte da política; nós conhecemos o governador Requião, ele é duro, às vezes, mas é o estilo dele, a gente tem que respeitar. Tenho certeza que o Paulo Bernardo não tem nenhuma relação com isso que ele denuncia (sobre superfaturamento na Ferroeste); quero ver se faço uma visita ao governador nos próximos dias.''

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