Campo Grande - O homem-bomba das investigações da Operação Xeque-Mate, Andrey Galileu Cunha, confirmou em depoimento que o compadre do presidente Luiz Inácio Lula da Silva Dario Morelli Filho era sócio do suposto chefe da máfia dos caça-níqueis, Nilton Cézar Servo, numa casa de videobingo em Ilhabela, no litoral norte de São Paulo. A testemunha-chave do caso admitiu também que as informações sobre a ação da Operação Xeque-Mate vazaram antes de ela ser deflagrada.
Os depoimentos de Cunha eram mantidos sob sigilo. Ele aceitou o benefício da delação premiada e diz que ajudará nas apurações. Nas oito páginas do interrogatório, às quais a reportagem teve acesso, a única recusa de Cunha foi em relação aos casos de corrupção de policiais. Recluso num lugar desconhecido, sob a forte proteção de policiais federais, o homem-bomba das investigações da Operação xeque-mate virou o inimigo número da quadrilha e declarou que tem medo de ser morto.
Por ter concordado em contribuir com a PF, Cunha foi um dos poucos entre os 78 presos na operação a prestar dois depoimentos. O primeiro, na sexta-feira , tem duas páginas e poucas informações. O segundo, feito no dia 4, após o acordo de delação premiada, tem sete páginas e indicações de que Cunha foi o elo que faltava para associar o bando aos homens que circulam na órbita de Lula e do governo. A partir desse relatório da polícia, o homem-bomba das investigações da operação deve ser, novamente, chamado pela Procuradoria da República para dar declarações que subsidiem a denúncia.
O advogado de Morelli Filho, Milton Talzi, sustenta que eles não são sócios, apenas conhecidos. Para a PF, Servo e o compadre de Lula tinham sociedade na casa Deck Vídeo Bingos, em Ilhabela, mas o negócio estava registrado em nome de um ''laranja'' chamado Renato Prata. O delator confirmou que Prata era o dono do negócio apenas no papel.
Cunha é considerado peça-chave para entender como atuava o grupo liderado por Servo. Desde os 12 anos de idade, tem relações com a família do empresário.
Ele conheceu um dos filhos de Servo na escola, ainda no Paraná. Em 2002, 2004 e 2006, trabalhou nas campanhas eleitorais do empresário. Em 2005, foi contratado como homem de confiança para atuar nos negócios de caça-níqueis. A casa de jogos Dalas Vídeo Bingos, em Campo Grande, foi registrada em nome dele, apesar de pertencer a Servo. Era ele também quem acompanhava o empresário nas viagens, como motorista. Após uma suspeita de desvio de dinheiro nos negócios, os dois brigaram em março e Cunha abriu negócio próprio com outros sócios. Os dois juram-se de morte em conversas interceptadas pela PF.

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