Hoje não há razão para voto no PT, diz Tarso
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terça-feira, 23 de agosto de 2005
Folhapress 
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Brasília - O presidente nacional do PT, Tarso Genro, disse ontem, em sabatina realizada pela Folha de S.Paulo, no Teatro Folha, que o atual quadro político coloca em xeque a eventual reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mantendo o discurso autocrítico - postura vista com ressalvas por parte da direção petista -, afirmou que, hoje, não saberia dar argumentos para que um eleitor vote no partido nas eleições de 2006.
Apesar de dizer que a discussão da candidatura petista ao Planalto não deve ser feita agora, citou o líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (SP), e o prefeito de Aracaju (SE), Marcelo Déda, como bons quadros para o posto caso Lula não dispute a eleição.
Crítico em relação aos rumos da política econômica, o presidente do PT disse ainda que o ministro Antonio Palocci (Fazenda) não receberia seu voto numa disputa interna para uma eventual escolha da candidatura presidencial do partido para o ano que vem (leia texto na pagina ao lado). Se tivesse uma votação dentro do partido para escolher quem é o candidato na prévia [à Presidência], o Palocci não seria meu o candidato, disse.
Apesar de listar os erros do PT, entre os quais um dos principais, para Tarso, foi interromper internamente o debate da política econômica, ele fez uma defesa incondicional do presidente Lula, isentando-o de qualquer envolvimento nas denúncias que recaem sobre os partidos da base aliada.
Para o dirigente, é preciso reformular o partido, dar cara a um novo projeto da legenda que a requalifique enquanto representação de ética pública e mostrar aos eleitores que os erros graves cometidos não vão se repetir.
O novo partido, diz o presidente do PT, passa pela recomposição de sua política de alianças, que deveria se concentrar em partidos de centro-esquerda. É a partir dessa nova composição, afirma Tarso, que o PT poderá resgatar sua base social, dando novo fôlego à esquerda brasileira.
Ao questionar a viabilidade de uma vitória de Lula nas eleições do ano que vem, Tarso ressaltou que não estava fazendo um julgamento moral do governo por contra da crise política.
Tarso luta internamente para colocar em prática seu discurso de refundação do PT. Diz que, para isso, é preciso haver uma completa desvinculação da direção anterior. No caso, o recado é para o ex-ministro e deputado José Dirceu (PT-SP), que permanece, contra sua vontade, na chapa do Campo Majoritário, corrente interna petista que domina as decisões do partido.


