BRASÍLIA - O governo terá muito trabalho para arrancar de seus aliados no Congresso a prorrogação do Fundo de Estabilização Fiscal (FEF). Além da previsível oposição das esquerdas, há resistências nos partidos governistas. ‘‘Se a emenda do FEF fosse votada hoje na Câmara, seria derrotada’’, prevê o vice-presidente e vice-líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN).
‘‘Mas o governo não tem outra alternativa e deverá enfrentar as resistências’’, prevê o deputado Alberto Goldman (PMDB-SP). Os sinais de que a briga será grande vêm tanto do PT quanto do PPB. ‘‘A oposição vai fazer tudo para impedir que o FEF seja estendido’’, disse o petista Paulo Bernardo (PR), que acompanha atento a discussão.
‘‘No PPB há quase uma unanimidade contra’’, contou o deputado Gerson Peres (PA), que debateu o tema hoje com o deputado Delfim Netto (PPB-SP). ‘‘O Delfim também considera inaceitável a prorrogação’’, relatou. O PPB acredita que o FEF desequilibrou financeiramente as prefeituras. ‘‘Se o ministro Malan (Pedro Malan, da Fazenda) vier ao Congresso chorar pelo FEF, vai ouvir muita coisa’’, advertiu Peres. ‘‘Com o FEF, o governo usa para resolver problemas de caixa o dinheiro que os Estados e Municípios poderiam aplicar na área social’’, completou o petista Bernardo.
O deputado Henrique Alves avalia que a maioria da bancada peemedebista não vê razões para prorrogar a existência do FEF. ‘‘A estratégia mais adequada ao governo seria lutar para que a reforma tributária seja feita o mais rápido possível, e não insistir em penduricalhos como o FEF’’, sugeriu.

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