Hoje é dia de lares repletos de chocolate. Ovos, barras, bombons e outras delícias que desviam a atenção do real motivo dessa festa: a ressurreição de Cristo. O monsenhor Bernardo Gafá, pároco da Catedral, explica o significado dos principais ritos:
DOMINGO DE RAMOS: marca a última vez que Jesus esteve em Jerusalém e foi aclamado como o Messias, com o povo agitando ramos de oliveira, que simbolizam a paz.
QUINTA-FEIRA SANTA: celebrada pela Igreja Católica com a Missa do Lava-pés, lembra a última ceia, em que Jesus prediz sua paixão e morte, institui a eucaristia e o sacerdócio e lava os pés de todos os apóstolos, como ato de servidão.
SEXTA-FEIRA SANTA: dia em que Jesus foi crucificado, depois de um longo e penoso calvário. A Igreja Católica instituiu a abstinência da carne de animais de sangue quente, porque ''a carne estimula as paixões humanas e esse é um dia de respeito''. A penitência também inclui o jejum total de chocolates e sorvetes, por exemplo, além de ouvir música, dançar e até falar alto. ''Deve-se pensar que é como se a gente estivesse velando uma pessoa. Se você tem um velório em casa não faz nada disso''. Embora tenha este embasamento, a igreja não faz nenhuma proibição ao sexo na sexta-feira da Paixão. Os católicos também realizam procissão ''como estivessem acompanhando o sepultamento de Jesus''.
SÁBADO DE ALELUIA: dia da Vigília Pascal. Os fiéis acendem as velas no Círio e a missa começa à luz de velas, relacionando com ''a luz que nasce das trevas, Jesus ressuscitado''. A malhação do Judas, segundo Gafá, não está na Bíblia nem na liturgia da Igreja Católica.
DOMINGO DE PÁSCOA: celebração da saída de Jesus do túmulo, ''anunciando a vitória sobre a morte e o pecado''.
O pároco da Catedral Metropolitana de Londrina diz que ''o comércio acaba invadindo a esfera religiosa e transformando as tradições. O ovo simboliza a vida, o coelho, a fertilidade, mas o chocolate não tem nada a ver. O que é triste é que ninguém lembra que por trás disso tudo está a morte e ressurreição de Cristo''.
Comparando com outras religiões, o sacerdote deixa claro que a Igreja Católica segue a tradição que vem da igreja primitiva, através das gerações. A diferença, com relação à Páscoa, é que algumas denominações seguem o que está na Bíblia e, no caso dos judeus, o critério é a Páscoa antiga, a libertação dos hebreus do Egito. ''Para os católicos, Cristo é a nova Páscoa. Como o judeu foi tirado do Egito, Jesus nos tira da morte'', conclui.

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