Curitiba - O presidente do Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná, Carlos Hoffmann, disse que não tinha conhecimento sobre a não publicação do ato que autorizou, em dezembro de 2008, o pagamento de um ''extra'', no valor individual de R$ 30 mil, para magistrados (cerca de 500 magistrados receberam o benefício). Reportagem da FOLHA DE LONDRINA mostrou, no mês de julho último, a existência do pagamento feito aos magistrados em dezembro do ano passado. Na ocasião, a FOLHA solicitou ao TJ, via assessoria de imprensa, uma cópia do ato que autorizou o pagamento, mas não obteve resposta. Mas, passados 13 dias, o ato acabou sendo publicado no Diário Oficial do Judiciário, revelando, portanto, que o pagamento, na época, não ganhou a devida publicidade.
Anteontem, em entrevista à imprensa concedida antes da audiência pública no TJ - organizada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) com o objetivo de detectar os problemas do Judiciário paranaense -, Hoffmann pela primeira vez falou sobre o assunto publicamente, ao ser questionado sobre o motivo que levou o TJ a demorar quase oito meses para publicar o ato que autorizou o pagamento aos magistrados. ''No momento em que o Tribunal de Justiça teve conhecimento que não tinha sido publicado, determinou a publicação. Isso foi determinado. E todos os atos do Poder Judiciário são publicados no Diário Oficial'', respondeu ele. Em seguida à sua declaração, Hoffmann saiu para participar da audiência pública. Ele não explicou, portanto, como teria ocorrido tal falha.
O pagamento aos magistrados se refere a uma parcela que foi integrada ao salário do magistrado federal, referente a um auxílio-moradia retroativo, e que, por ''efeito cascata'', atingiu o TJ paranaense. O pagamento do ano passado, contudo, representa só a primeira parcela de um valor que pode chegar a R$ 100 milhões pelos cálculos extraoficiais.
O fato de o pagamento ter sido efetuado sem imediata publicação do ato que autorizou o benefício está sendo analisado pelo CNJ desde agosto, mas ainda não há resposta. Em entrevista à imprensa concedida anteontem em Curitiba, o corregedor do CNJ, ministro Gilson Dipp, não soube informar sobre o andamento da questão em Brasília, mas falou sobre a necessidade de transparência dos tribunais de Justiça brasileiros. ''Eu não conheço esse fato específico. Vou examinar'', comentou ele.

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