Agência Folha
De São Paulo
Uma boa parte da história do governo de Fernando Henrique Cardoso está guardada numa sala do escritório de Wilma Motta, a viúva do ministro Sérgio Motta, em São Paulo. Nos dois anos em que ocupou o cargo de ministro das Comunicações, Motta recebeu 3.583 pedidos dos mais variados: outorgas de radiodifusão, patrocínios culturais, concessões de TV convencional e de TV a cabo, indicações de políticos para cargos públicos. Tudo foi catalogado e arquivado pelo ministro. Além dos documentos, Wilma guarda recortes de jornais e cartas pessoais que foram enviadas ao marido.
Durante quatro meses, José Prata, chefe de gabinete de Motta e seu amigo desde 1968, pesquisou os documentos. O resultado é o livro ‘‘Sérgio Motta - O Trator em Ação’’, que será lançado amanhã. O texto é do jornalista Nirlando Beirão. Mesmo o leitor de boa-fé tem, por isso, razões para desconfiar de que as melhores (ou piores) histórias envolvendo Motta ainda estão por ser reveladas.
A imprensa, mais uma vez, merece um capítulo à parte. Motta tinha acesso livre aos proprietários da mídia. Muitas vezes, usava esse acesso para se queixar dos jornalistas que o criticavam. Em alguns casos, conseguiu fazer com que fossem censurados.
Na atuação política, o autor relata o clima de fisiologia que existiu no início do primeiro mandato de FHC. De acordo com ele, o PFL se comportava de maneira ‘‘voraz’’ e ‘‘não se cansava’’ de pedir cargos. O episódio mais polêmico envolvendo Motta, o da compra de votos para a aprovação da reeleição, é tratado superficialmente.

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