Higidez institucional
A maior das dúvidas, quanto às consequências do racha presidencial, a vitória de qualquer um dos dois, resiste na possível fragilidade institucional pela dificuldade em opor à hipótese de anomalia o funcionamento do sistema de freios e contrapesos constitucional. Uma das consequências do alude eleitoral foi a de estabelecer na fragmentação partidária, nada menos de 30 legendas no parlamento, uma forma de diluir a opinião pública com as frentes e bancadas como a da bala, a da bola, a do boi, como nos anos sessenta, século passado, tínhamos o agregado da nacionalista minoritária oposta à democrática.

Há quem compare a conjuntura atual com a havida com Jânio Quadros em 1960 e Collor de Mello em 1989, crises essas que foram bem metabolizadas pelo sistema, embora o primeiro com o gravame da posse de João Goulart em cuja resistência havia a chispa ideológica da Guerra Fria que adiou a intervenção militar em três anos. A diferença do momento está na síntese das forças em conflito e na surpreendente ascensão do PSL, que oferece densidade partidária ao bolsonarismo.

Um incidente de rua, terça-feira (9) em Curitiba, quando um universitário que usava um boné do MST foi por esse motivo alvo de estúpida agressão, dá uma ideia do que teremos no curso da campanha eleitoral. Nas análises - muitas delas da imprensa internacional sobre o caso Brasil - há generalizado sentimento de risco em função da intolerância dos mais radicais e da forma como está colocada a alternativa brasileira. E se a própria justiça eleitoral é colocada sob dúvida com a algaravia de que as urnas eletrônicas são devassáveis (a tese já foi aqui também invocada pelo senador Requião em pleitos passados), percebe-se que há o sentido de degradar todo o aparato institucional.

A confiança nas instituições deveria ser o sinal primeiro daquele mínimo de concórdia como condição prévia para a aceitação das regras do jogo sem a qual a democracia inexiste.

Contra a Valor
Mais sanções do Tribunal de Contas do Paraná contra a construtora Valor, chave do caso dos desvios de construções escolares na operação "Quadro Negro": mais um milhão de reais debitado à empresa e mais sete pessoas pelas obras do Colégio Estadual Amâncio Moro.

Burocracia
A existência de 16 mil carros adquiridos e que não saem do pátio das concessionárias levou consumidores e donos de revendas nesta quarta (10) ao Palácio Iguaçu em busca de solução ao problema tão grave, meramente de burocracia e falta de conexão entre sistemas de bancos e operadora credenciada pelo Detran para ajuste à nova regulação do Conselho Nacional de Trânsito. Dá para lembrar da pregação de Hélio Beltrão e de sua obstinada cruzada contra as artes do papelório e das mediações intermináveis nacionais. Nem no regime militar foi possível avançar com o uso de todos os poderes admissíveis.

Na trave
Novo pleito em favor de Lula bateu na trave no TRF4: habeas corpus pela retirada da delação de Antonio Palocci na questão do Instituto Lula.

Apoios
O PSB, que obteve vitórias em acordos com o PT, vai apoiar Haddad, mas liberou Marcio França, que disputa o segundo turno em São Paulo, à neutralidade. Tem ainda o apoio de Ciro Gomes e de Guilherme Boulos, PSOL.

Um aliado importante, o governador petista do Ceará, Camilo Santana, sugere que Fernando Haddad se coloque acima do lulopetismo para abrir-se a uma união mais nacional. Camilo foi reeleito no primeiro turno com 79,9% dos votos válidos, e sabe, portanto, do que está falando. Prega ainda a autocrítica, que a cúpula do PT se nega a fazer, em torno dos malfeitos. Entende como necessário e inadiável esse ato de penitência.

Guru vistoriado
O Ministério Público Federal em Brasília está investigando o economista Paulo Guedes, tido como o guru de Jair Bosonaro e futuro ministro da Fazenda em caso de vitória, por suspeita de fraudes com fundos de pensão, patrocinadas por estatais, com executivos do PT e MDB.

Jandaia
Um doleiro envolvido em processos da Lava Jato, Raul Srur, foi preso em Jandaia do Sul: ele teria se deslocado, sem autorização, com contrato de trabalho fajuto.

Folclore
Uma das virações de passado distante era poetas como Emílio de Menezes e Luis Guimarães fazerem quadras com sentido comercial como aquela clássica colocada nos bondes e trens: "Veja ilustre passageiro// o belo tipo faceiro// que viaja ao seu lado// No entanto, acredite// quase morreu de bronquite// salvou-o o Rum Creosotado". Eis os seis versos finais de soneto de Emílio sobre o expectorante Bromil: "Pode afirmar por toda a eternidade// aos mil que sofrem e aos descrentes mil//que isso que aí vai é a essência da verdade!// Da horrível tosse que me pôs febril// Dei cabo, usando apenas a metade// de um milagroso frasco de Bromil".//

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