Hermas pode ser o interventor do PSDB
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 05 de setembro de 2001
Luciana Pombo<BR>Maria Duarte 
O desmantelamento do diretório estadual do PSDB decidido por unanimidade pela executiva nacional, na noite de anteontem abriu as portas ao grupo do ex-governador José Richa e do presidente brasileiro da Itaipu Binacional, Euclides Scalco. A tendência é que a mudança de comando na sigla beneficie os políticos ligados ao governador Jaime Lerner (PFL). O nome do presidente da Assembléia Legislativa, deputado Hermas Brandão (PTB), foi levantado para assumir a comissão provisória que controlará o partido no Estado.
Com a dissolução, o deputado federal Luiz Carlos Hauly perdeu a presidência do partido. Ele ocupava o cargo desde o final de junho, quando o senador Alvaro Dias, seu aliado, renunciou. A direção estadual tentou chegar a um acordo com a cúpula nacional na tentativa de manter Hauly no poder , mas fracassou.
Nos corredores da Assembléia, ontem era dada como certa a filiação de Hermas no PSDB e a indicação dele como interventor. Na semana passada, ele esteve reunido com lideranças nacionais do PSDB em São Paulo. Teria ainda conversado com José Richa e Scalco (ligados ao presidente Fernando Henrique Cardoso e ao governo Lerner).
Hermas confirmou ter mantido conversações com lideranças nacionais do PSDB. Mas negou que esteja assumindo como interventor. ''Eu não posso assumir o partido como interventor, porque nem ao menos estou filiado ao PSDB'', despistou. Ele admitiu que poderá aderir ao ninho tucano. Mas só deve se pronunciar oficialmente sobre o assunto na semana que vem. ''Sentaremos e avaliaremos a possibilidade de ingresso no partido'', salientou.
Hermas já foi presidente do diretório regional do PSDB, quando o senador Roberto Requião (PMDB) era governador. ''Já passei por tantos partidos que nem sei. Sou favorável à fidelidade partidária. Mas enquanto não há uma definição, mudamos de partido de acordo com as necessidades'', disse. Oficialmente, Brandão diz que não pretende disputar o Senado ou o governo. Mesmo no PSDB, ele disse que buscará a reeleição na Assembléia. No entanto, existe a possibilidade de Hermas assumir interinamente a chefia do Palácio Iguaçu, caso Lerner e a vice, Emília Belinati (PTB), se afastem para cuidar de novos projetos políticos.


