Hermas diz que só sai se for demitido
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sexta-feira, 05 de dezembro de 1997
Leandro Donatti Curitiba 
Arquivo FolhaDesgasteHermas Brandão: apesar das denúncias, secretário ainda articula candidatura a vice de LernerO secretário da Agricultura, Hermas Brandão (PTB), disse ontem que só sai do governo se for demitido pelo governador Jaime Lerner (PFL). Apontado como o pivô no desvio de verbas do Programa de Apoio à Pequena Propriedade pelo Ministério Público e Câmara Municipal de Faxinal (município da região do Vale do Ivaí), o secretário tenta se recuperar do desgaste que sofreu. Brandão circulava ontem pela Assembléia Legislativa reforçando a sua intenção de disputar como vice, na chapa do governador, em 98.
Continuo candidato. E quem definirá os nomes são os partidos que dão apoio ao grupo político do governador, no período das convenções, avisou o secretário que, na pior das hipóteses, ainda tem vaga garantida como candidato a deputado estadual. Brandão foi eleito deputado em 94 e está licenciado do Legislativo desde que assumiu a pasta no governo Lerner, em janeiro de 95. Ele conversou ontem com o presidente da Assembléia, Aníbal Khury (PFL), o principal articulador da sua candidatura a vice.
Para sustentar a sua disposição em continuar na disputa, o secretário da Agricultura diz que recebeu diversas manifestações de solidariedade de prefeitos do interior. Eles sabem que eu tenho 25 anos de janela e que desconheço a origem do dinheiro. Se fosse para fazer chuncho com dinheiro público, eu não permitiria um depósito na minha conta pessoal, se defende o secretário, que não divulgou a suposta lista de apoios.
Brandão antecipou que não pretende entrar na Justiça contra o senador Roberto Requião (PMDB), o responsável pelo vazamento da denúncia que já vinha sendo apurada há cerca de dois meses em Faxinal. Pra quê? Seria uma ação inócua, já que ele só ganha as ações em Brasília. Só ingressarei em juízo se o senador tiver a honradez de abrir mão da sua imunidade parlamentar, declarou. O secretário diz que o vazamento preparado pelo senador, na sessão da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, na última terça-feira, foi para atingir o governo.
Desdobramentos As repercussões do envolvimento do secretário, do deputado estadual Milton Pupio (PTB) e do ex-prefeito de Faxinal Dirceu Dutra Guerra (PDT), no possível esquema de desvio de recursos, centralizaram as discussões ontem na Assembléia. As bancadas do PT, PMDB, PSDB e PSN discutem a possibilidade de instaurar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) e aprovar requerimento para que o Tribunal de Contas realize auditoria em todos os convênios firmados pela secretaria de Brandão, inclusive os do Programa de Readequação de Estradas.
Os parlamentares, que não detêm a maioria dos votos na Assembléia, suspeitam que o desvio de dinheiro público também atinja o programa. O gabinete do senador Requião passou o dia ontem tentando levantar novas informações contra o secretário da Agricultura. Um suposto desvio de R$ 225 mil dos cofres de Barbosa Ferraz (município da região do Vale do Ivaí), que deveriam ser empregados na readequação da estrada que liga o trecho Paraíso do Sul ao distrito de Borbônia, foi o centro das atenções.
O gabinete do senador em Brasília, que diz ter recebido somente ontem cerca de 40 ligações telefônicas dando pistas de outras irregularidades no programa das estradas, aguarda ainda levantamento da Promotoria de Defesa do Patrimônio Público para retomar as denúncias. O secretário Hermas Brandão diz que está tranquilo e que não vê problema no TC reavaliar os convênios firmados com as prefeituras.


