Hermas deve assumir o governo no dia 4
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quarta-feira, 23 de agosto de 2006
Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A data ainda não é oficial, mas tudo indica que o governador Roberto Requião (PMDB) deverá deixar o cargo no início de setembro para se dedicar à campanha de reeleição. O mais provável é que ele cumpra as agendas oficiais até o dia 2 de setembro. ''Conversei hoje (ontem) com o Requião sobre este assunto e ele me disse que quer verificar uma série de despachos que ainda estão pendentes e fazer inspeções em obras do interior do Estado antes de pedir licença'', informou o vice-governador Orlando Pessuti (PMDB), candidato à reeleição.
Mesmo antes da licença, Requião e Pessuti têm dedicado grande parte da agenda diária para encontros e compromissos de campanha. Na agenda oficial de ontem, divulgada pelo site do candidato Requião, tinham compromissos de campanha às 9h (encontro com produtores de leite, em Curitiba), às 15h (inauguração do comitê de donas de casa), às 18h (gravação de entrevista a emissora de televisão) e às 19h30 (inauguração de Comitê Evangélico).
O vice, Orlando Pessuti, também está em campanha e deverá se licenciar para não inviabilizar a candidatura a vice-governador. ''Está tudo muito difícil com a gente no cargo. Hoje a gente tem que fazer a agenda com cuidado, verificando o que pode e o que não pode. O que é compromisso governamental e o que é compromisso de campanha. Onde pode tirar foto com candidato e onde não pode. É meio confuso. A licença é fundamental para que possamos realmente nos dedicar para os compromissos de campanha e visitar os eleitores'', ponderou Pessuti. Hoje, a agenda de Requião prevê encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em Foz do Iguaçu.
Mesmo a data não tendo sido definida oficialmente, o deputado estadual Hermas Brandão (PSDB) já está se preparando para assumir o cargo de governador do Paraná. Ele é presidente da Assembléia Legislativa e poderá administrar o Estado por não ser candidato nas eleições deste ano. Brandão seria vice na chapa de Requião, mas teve a candidatura anulada quando o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) impediu a aliança entre o PMDB e o PSDB.
O provável é que ele assuma o cargo de governador no dia 4 de setembro. Ontem, a Folha não conseguiu falar com Brandão que passou o dia recebendo agricultores familiares ligados ao movimento Grito da Terra.
Como governador, Brandão terá poderes de decisão na administração estadual. Entretanto, tudo indica que nenhuma mudança estrutural ou de secretariado seja realizada na ausência de Requião. ''O Hermas vai liderar a parte administrativa do Estado'', reforçou Pessuti. Antes de assumir o cargo de governador, Brandão que é presidente da Assembléia Legislativa quer aprovar a Emenda Constitucional que modifica o piso mínimo de investimentos da educação no Paraná de 25% para 30%.
Após o período eleitoral, Requião deverá reassumir o cargo. Ontem, a assessoria do governador evitou falar sobre o tema, dizendo que a licença ainda estava indefinida. Pessuti, no entanto, não tem dúvidas de que terminará o ano como vice-governador. ''Independente do resultado, Hermas tem que terminar o trabalho dele na Assembléia Legislativa. E nós (Pessuti e Requião) temos que concluir o governo'', ponderou.


