Agora é oficial. O secretário da Agricultura, Hermas Brandão (PTB), vai deixar o governo Jaime Lerner (PFL) no dia 5 de janeiro próximo. O anúncio foi feito ontem, no início da noite, através de nota oficial do Palácio Iguaçu. Brandão deixa o governo em meio à crise e desgaste político provocados por denúncias feitas pela Câmara Municipal do Ministério Público de Faxinal (região do vale do Ivaí) que o envolveram num suposto esquema de desvio de verbas do Programa de Apoio à Pequena Propriedade.
O governo ainda não anunciou o sucessor de Brandão. O presidente do Banestado, Manoel Garcia Cid, é cotado para a função. Ex-dirigente da Sociedade Rural do Paraná, Neco Garcia, já teria sido sondado pelo governador. No seu lugar, assumiria Aldo Almeida, apontado como de perfil técnico e que atualmente ocupa uma das diretorias do Banco.
A saída de Brandão não vai coincidir com a desincompatibilização dos demais secretários-candidatos, marcada por Lerner para o início de fevereiro. O secretário da Agricultura foi forçado a antecipar-se. Ele volta à Assembléia Legislativa, de onde está licenciado desde janeiro de 95, e assume o lugar o suplente Ademar Traiano (PTB).
Na nota oficial enviada ontem pelo Palácio, Brandão diz que sai em janeiro ‘‘porque considera fundamental para o seu substituto assumir a tempo de acompanhar o programa Paraná 12 Meses desde o seu início’’. A decisão ocorreu um dia antes da viagem do governador aos Estados Unidos. Lerner assina no dia 23, em Washington, contrato com o Banco Mundial (Bird) para agilizar financiamentos para o programa. Emília Belinati assumirá interinamente o governo.
O secretário sai do governo descontente com a equipe de Lerner. Nem o governador nem seus aliados mais chegados saíram em sua defesa desde o último dia 3, quando o senador Roberto Requião (PMDB) preparou o vazamento das investigações de Faxinal, numa das sessões da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. Os deputados governistas, a pedido do presidente da Casa, Aníbal Khury (PFL), foram os únicos a manifestar, através de um desagravo, solidariedade ao secretário.
A pressão do Palácio Iguaçu para apressar a decisão de Brandão intensificou-se a partir do último final de semana. A comissão especial de investigação de Faxinal aprovou relatório apontado o secretário como envolvido no desvio de R$ 15 mil do programa para uma de suas contas pessoais. O pivô das investigações, o ex-prefeito do município Dirceu Dutra Guerra (PDT), e o deputado estadual Milton Pupio (PTB) também tiveram acusações formalizadas em documento. O ex-prefeito teria recebido R$ 10 mil; e Pupio, outros R$ 15 mil.
Nem Guerra nem Pupio se manifestaram até agora. Brandão diz estar consciente da sua inocência e que o dinheiro rastreado pela Justiça de Faxinal é proveniente da venda de 62 vacas, de sua propriedade, à família Pupio. Na última terça-feira, o secretário disse estar certo de que a comissão de deputados designada para acompanhar o caso vai comprovar a sua inocência.

mockup