Hermas Brandão ataca direção nacional do PSDB
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 14 de agosto de 2006
Andréa Bordinhão<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O presidente da Assembléia Legislativa, deputado Hermas Brandão (PSDB), atacou ontem duramente a executiva nacional do seu partido, que não o apoiou em favor da coligação com o PMDB, e assegurou que vai continuar fazendo campanha para a reeleição do governador Roberto Requião (PMDB). Brandão afirmou que se sentiu cassado pelo PSDB e disse que agora não sabe se vai apoiar o candidato tucano à presidência, Geraldo Alckmin. Entretanto, garantiu que não vai se desfiliar do PSDB porque faz questão de participar da eleição da nova executiva nacional, no ano que vem, o que classificou como uma ''briga grande''. O presidente do PSDB no Paraná, deputado Valdir Rossoni, também foi alvo das críticas de Brandão.
''O partido não agiu de forma democrática. O mau desempenho do Alckmin (nas pesquisas) reflete a direção nacional do partido'', disparou. Brandão afirmou que vai analisar o apoio a Alckmin. ''Eu preciso ser convencido para apoiá-lo. Vou analisar as propostas.'' O presidente da Assembléia disse que havia um acordo para que ele desistisse de disputar o Senado em troca do apoio à coligação, dando espaço para a candidatura à reeleição do senador Álvaro Dias. Brandão assegurou que não vai acompanhar Alckmin em sua visita ao Paraná na próxima quinta-feira. ''Só se ele vier até a Assembléia. Daí vou recebê-lo.''
Brandão também insinuou que foi traído por Rossoni. ''Quem é meu amigo continua. Mas alguns passaram a ser somente companheiros de partido'', afirmou. Nos próximos dias o presidente da Assembléia vai tomar posse como governador do Estado. Requião e o vice-governador Orlando Pessuti (PMDB) anunciaram que vão se licenciar do cargo para se dedicar à campanha à reeleição.
O presidente estadual do PMDB, deputado Dobrandino da Silva, também não poupou o PSDB nacional e estadual de críticas. ''O Rossoni se reuniu algumas vezes com o governador para falar da aliança. Parece até incoerência'', reclamou. Dobrandino, que sempre defendeu que Requião apoiasse abertamente Alckmin, afirmou que lutou até o fim para que o candidato tucano à presidência tivesse o apoio de todos os peemedebistas. ''Agora a conversa é outra. Como não temos candidato podemos deixar o partido livre para apoiar quem quiser. Vamos estudar o que é mais viável.'' O presidente do PMDB acredita que os prefeitos que apoiam Requião, independente de partido, vão seguir o mesmo caminho do governador.
''Não fiz nada para ele (referindo-se a Brandão). Só cuidei do partido. Hoje ele está falando com o fígado. Amanhã ele volta a falar com o coração'', defendeu-se Rossoni. Rossoni negou que tenha discutido qualquer hipótese de aliança com Requião.


