Hermas afirma ter sido 'traído' por tucanos
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quinta-feira, 09 de novembro de 2006
Catarina Scortecci<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O tucano Hermas Bandrão voltou ontem à presidência da Assembléia Legislativa do Paraná após cerca de 60 dias à frente do governo do Estado. Comandante da ala tucana que apoiou a candidatura do governador reeleito Roberto Requião (PMDB), Hermas abriu ontem as portas do seu gabinete no Legislativo e conversou com a imprensa sobre o que ele qualifica como a maior ''traição'' das eleições. O tucano se refere ao presidente do PSDB no Paraná, deputado estadual Valdir Rossoni, que apoiou a candidatura do senador Osmar Dias (PDT) ao governo do Estado, e ao presidente nacional da sigla, senador Tasso Jereissati, que anulou a convenção partidária estadual que definia apoio a Requião.
''O presidente nacional não foi sério comigo. Fizeram um apelo para que eu não lançasse minha candidatura a senador, e eu cumpri. Depois eles anularam o resultado de uma convenção democrática. Foi uma eleição apertada, com apenas cinco votos de diferença, mas nós ganhamos'', afirmou Hermas. Pelo resultado da votação, PSDB se uniria ao PMDB. Hermas sairia candidato a vice na chapa do peemedebista Requião. A briga do PSDB chegou até ao Tribunal Regional Eleitoral. Lá a decisão do diretório nacional da sigla - que anulou a convenção alegando que Requião não apoiaria o então presidenciável Geraldo Alckmin (PSDB) - foi sepultada.
''Fui traído por ele (Rossoni). Quem não respeita uma convenção não pode ser dirigente de um partido'', atacou Hermas. Para ele, além de Rossoni, os deputados federais Luiz Carlos Hauly e Gustavo Fruet também não podem ser presidentes da sigla. ''O presidente deve ser conciliador. Três já não podem ser presidente. Além de outros que se escondem atrás dos três'', disparou ele. Em função do racha que se formou na sigla, Hermas não sabe qual será o seu destino partidário. ''Vai depender das decisões nacional e estadual do PSDB. Não tomo decisões isoladas. Vou aguardar.''
Por enquanto, Hermas deverá ficar um pouco afastado da política. Ele garante que não pretende assumir nenhuma secretaria na gestão Requião. E que nem mesmo foi convidado para alguma pasta. Também revela que irá ''cuidar da vida'' a partir do próximo ano. ''Sou agropecuarista há 40 anos e serventuário da Justiça há 45 anos'', disse ele. Durante 30 anos de vida pública, Hermas afirma que cultivou amigos, e não ''companheiros políticos'', e que agora sai ''gratificado'' da presidência do Legislativo. ''Eliminamos os veículos da Casa. Deixamos de pagar jetom nas sessões extraordinárias'', disse ele, acrescentando que o ideal seria concluir o seu mandato já com a TV da Assembléia Legislativa em funcionamento. A previsão era que ela fosse ao ar em outubro.
Hermas admite, porém, que ''os problemas são enormes''. ''Trabalhar com pessoas que têm mandatos, e que às vezes acham que só possuem 'direitos', não é fácil'', revelou ele. Sobre os últimos dias na Casa (as sessões legislativas seguem até o dia 15 de dezembro), Hermas informou que há pelo menos onze mensagens do governo que precisam ser aprovadas até o final do ano. Outra mensagem que pode chegar do Executivo, segundo ele, se refere à aquisição integral das ações da Sanepar - já que parte pertence à iniciativa privada.
Sobre o seu curto período no comando do Executivo, Hermas afirma que ''há uma certa diferença entre 'ser' governador e 'estar' governador'', mas que durante o período pôde viajar para mais de 150 cidades do interior. ''Toquei a parte administrativa, sem qualquer novidade.''


