Não se sabe se está no sangue, na personalidade ou na influência da família, o fato é que muitos filhos seguem a mesma carreira do pai e com isso costumam levar alguma vantagem para ingressar na profissão. Na política o quadro não é diferente. As eleições de outubro terão como candidatos vários filhos de políticos que marcaram a história de cidades e municípios paranaenses.
O atual vice-prefeito de Curitiba, Beto Richa (PSDB), segue a mesma trajetória do pai, José Richa, que morreu em fevereiro deste ano. ''Ele com certeza me influenciou. Desde que eu nasci, meu pai já fazia política praticamente 24 por dia'', recorda Beto. O pai dele foi prefeito de Londrina em 1973, quando Beto Richa estava com cinco anos.
Candidato do PSDB para disputar a prefeitura de Curitiba nas eleições deste ano, Beto Richa foi deputado estadual em 1994, evoluindo politicamente como seu pai. ''Tive essa influência grande e com o tempo a gente acumula experiência. Ainda hoje ajuda a ser eleito o fato de ser filho dele'', observou. ''Se eu for eleito, serei prefeito com a mesma idade em que ele foi, 38 anos'', prevê.
O sobrenome Manfrinato é o principal cabo eleitoral do candidato a prefeito em Cianorte (80 km a leste de Umuarama) Ângelo Manfrinato (PDT). Atual vereador da cidade, ele é filho do ex-vereador e deputado estadual Dirceu Manfrinato. Seu avô, Primo Manfrinato, foi o primeiro vereador de Cianorte e seu tio, Hélio Manfrinato, também ocupou uma cadeira na Câmara Municipal. ''Há mais de 40 anos que a família trabalha na política e na vida pública. Isso me ajudou pelo nome'', admitiu.
Roberto Siena (PFL), filho do ex-prefeito de Tamarana Edson Siena, decidiu se lançar na política este ano. Ele é candidato do partido para a vaga de prefeito em Tamarana (62 km ao sul de Londrina). ''Com a morte do meu pai, os amigos me pediram que tivesse alguém representando ele'', conta. Roberto Siena argumenta que foi o braço direito de seu pai na vida pública e com isso aprendeu muito. ''Sempre quis isso, sempre esteve no sangue'', declarou. Nas eleições, o candidato do PFL acredita que a carreira do pai pode ajudá-lo a conquistar votos, e justifica: ''A herança política do meu pai é muito boa''.
Outro que tem muito a herdar é José Carlos Becker (PT), o Zeca Dirceu, filho do ministro da Casa Civil, José Dirceu. Ele pleiteia a vaga de prefeito em Cruzeiro do Oeste (25 km a leste de Umuarama) mas não quis falar sobre o assunto alegando que pretende concorrer de igual para igual com todos os candidatos. Na visão de Zeca Dirceu, uma participação em matérias envolvendo o nome de seu pai geraria uma disputa desleal no pleito. O candidato a prefeito em Jandaia do Sul, Fábio Borba (PMDB), também não quis falar sobre a influência de seu pai, o líder do PMDB na Câmara Federal, José Borba, na vida política dele. A Folha fez um primeiro contato no telefone celular de Borba mas depois o candidato não atendeu às ligações.
Eleições passadas comprovam que pais políticos agregam votos para seus filhos. Para citar apenas um exemplo, Antônio Belinati, três vezes prefeito de Londrina, junto com sua ex-esposa e ex-vice governadora do Estado, Emília Belinati, conseguiu eleger seu filho Antônio Carlos Belinati a deputado estadual nas eleições de 1998. Aos 23 anos, Antônio Carlos conquistou 87.437 votos, sendo o segundo deputado mais votado no Paraná na ocasião.

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