Brasília - O primeiro-secretário do Senado, Heráclito Fortes (DEM-PI), disse ontem que vai tomar ''todas as providências'' para apurar as informações de que, além de hora extra no mês de férias, 9.512 funcionários da Casa - entre ativos e aposentados - receberam R$ 83,4 milhões de ajuda de custo referente aos meses de dezembro de 2008 e fevereiro deste ano.
Heráclito evitou ainda polemizar sobre a contratação de Luciana Cardoso, filha do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, como sua funcionária. Segundo a coluna de Mônica Bergamo, na ''Folha de S.Paulo'', ela é responsável pela organização dos arquivos pessoais do senador.
Tenso, o senador disse que não concederia mais ''tantas entrevistas'' porque estava ''falando demais''. Ao ser questionado sobre o pagamento dos R$ 83,4 milhões, cujo pagamento não consta do contracheque dos servidores, Heráclito disse que vai tomar providências.
''Já determinei ao diretor-geral (Augusto Gazineo) que tome todas as providências'', disse Heráclito, evitando dar detalhes. ''Desconheço essas informações. Isso é (herança) de gestões passadas e não da minha'', disse.
Segundo a reportagem, no final e no início de todos os anos os senadores recebem 14º e 15º salários e o pagamento é chamado de ''ajuda de custo''. Os servidores do Senado recebem um percentual - que varia de 3% a 30% do vencimento do senador, que é de R$ 16.512,09.
Bagunça
Contratada como secretária parlamentar, Luciana Cardoso disse que trabalha de casa porque o Senado ''é uma bagunça''. ''Trabalho mais em casa, na casa do senador. Como faço coisas particulares e aquele Senado é uma bagunça e o gabinete é mínimo, eu vou lá de vez em quando. Você já entrou no gabinete do senador? Cabe não, meu filho! É um trem mínimo e a bagunça, eterna. Trabalham lá milhões de pessoas. Mas se o senador ligar agora e falar 'vem aqui', eu vou lá'', disse.
No entanto, Heráclito evitou responder sobre as críticas de Luciana Cardoso. Segundo ele, o comentário dela diz respeito ao Senado como um todo e não exatamente ao seu gabinete. ''Ela (Luciana) diz que o Senado é uma bagunça. Eu também queria um gabinete maior (considerando que Luciana diz que o gabinete dele é 'mínimo')'', afirmou.
À coluna, Luciana Cardoso não entrou em detalhes sobre a polêmica em torno do pagamento das horas extras durante o recesso parlamentar. ''Não sei te dizer se eu recebi em janeiro, se não recebi em janeiro. Normalmente, quando o gabinete recebe, eu recebo. Acho que o gabinete recebeu. Se o senador mandar, devolvo (o dinheiro). Quem manda pra mim é o senador'', disse.
O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), chegou ontem cedo ao seu gabinete. Também não concedeu entrevistas.

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